Campos Sales

Por Antonio Gasparetto Junior
O quarto presidente da história do Brasil foi o paulista Campos Sales. Como mais um representante da oligarquia cafeeira do estado de São Paulo, seu governo teve início dando-se empenho ao combate contra a inflação e deixou como legado uma estrutura de sustentação das oligarquias chamada Política dos Governadores.

Manuel Ferraz de Campos Sales nasceu na cidade de Campinas no dia 15 de fevereiro de 1841. Formou-se em Direito, exerceu a profissão de advogado durante algum tempo e então iniciou sua carreira política como deputado provincial pelo estado de São Paulo entre 1867 e 1871, em 1872 foi vereador. Voltou a ser deputado provincial entre 1882 e 1883 e também entre 1888 e 1889. Já neste ano tornou-se presidente da comissão central do Partido Republicano de São Paulo.

Quando a República foi proclamada assumiu o Ministério de Justiça do governo provisório de Deodoro da Fonseca, entre 1889 e 1891. Simultaneamente foi Senador pelo estado de São Paulo na Assembléia Nacional Constituinte entre 1890 e 1891. Em 1892 partiu para viver na Europa onde atuou como colaborador do jornal Correio Paulistano até 1893.

De volta ao Brasil, Campos Sales exerceu o cargo de governador de São Paulo de 1894 até 1898, quando ocorreram as eleições diretas para a Presidência da República, na qual saiu vencedor assumindo o posto no dia 15 de novembro de 1898.

O início do governo presidencial do paulista Campos Sales não foi nada fácil. Em decorrência da política do encilhamento proposta anos antes por Ruy Barbosa, o presidente anterior viu crescer absurdamente o quadro inflacionário e também as dívidas do país. Prudente de Morais deixou então uma série de problemas econômicos para serem resolvidos por Campos Sales. Logo de início, como tentativa de tirar o país de uma situação economicamente muito desfavorável, Campos Sales aceitou uma proposta de acordo com os banqueiros ingleses e viajou até Londres para tomar novo empréstimo, o qual ficou conhecido como funding loan. Como parte do acordo feito com os ingleses, o presidente se empenhou para combater a inflação e a desvalorização da moeda, não permitiu mais emissão de papel-moeda e retirou grande quantia de circulação.

Como a principal preocupação do então governo presidencial era tentar de alguma forma anenizar a situação econômica, outras medidas foram acrescentadas. Campos Sales reduziu as despesas do Estado e aumentou sua receita através de uma série de impostos que foram criados. Obviamente o peso da carga tributária não agradou a população que enfrentava condições inadequadas de vida em meio a muita pobreza. Mesmo a queda dos preços não foi suficiente para elevar em tão pouco tempo a qualidade de vida dos brasileiros. O povo apelidou o presidente de Campos Selos, por causa de um dos impostos chamado de imposto dos selos.

Politicamente, foi Campos Sales que desenvolveu e implementou a máquina que sustentaria durante tanto tempo a oligarquia cafeeira no poder. Buscando gerar uma estabilização política que favorecesse as elites estaduais, foi criada a chamada Política dos Governadores, na qual coronéis, governadores estaduais e o presidente saiam favorecidos. Através deste mecanismo se conseguia o apoio necessário nas bancadas do Congresso, ao mesmo tempo em que os governadores e coronéis desfrutavam também de seus interesses.

Durante seu governo, Campos Sales criou ainda o Instituto de Manguinhos, que entre outras coisas dedicava-se a fabricação de vacinas contra a peste bubônica. Quando finalmente seu mandato chegou ao fim, deixou o posto vaiado pela população que não foi capaz de compreender a política de ajuste financeiro necessária tomada por Campos Sales. Mas mesmo assim, conseguiu que Rodrigues Alves, o candidato que indicou para sucessão, vencesse o pleito eleitoral.

Entre 1909 e 1912 foi novamente Senador pelo estado de São Paulo. No mesmo ano de 1912 tornou-se ministro plenipotenciário do Brasil na Argentina. O nome de Campos Sales chegou a ser cogitado nas articulações políticas para as eleições presidenciais de 1914, mas em 28 de junho de 1913 faleceu repentinamente na cidade de Santos, onde enfrentava dificuldades financeiras.

Campos Sales foi homenageado posteriormente dando nome as cidades de Campos Sales, no Ceará, e Salesópolis, em São Paulo.

Fontes:
CORRÊA, Arsênio Eduardo. O Pensamento Político de Campos Sales. Londrina: Humanidades, 2009.
http://www.portalbrasil.net/politica_presidentes_campossales.htm
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u52.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campos_Sales