Diogo Antônio Feijó

Por Felipe Araújo
Diogo Antônio Feijó nasceu em 1784 e foi uma das figuras mais importantes da História do Brasil. Passou muito tempo de sua vida no interior de São Paulo e sua ideologia, tanto política quanto religiosa, foi guiada por um sentimento de mudança e quebra de paradigmas. Espírito inquieto, Feijó propôs a abolição do celibato aos padres, fim da escravidão, repressão ao tráfico de escravos, democracia nas instituições do Estado e reforma do habeas-corpus.

diogo feijóMas a vida de Feijó já estava destinada à polêmica mesmo antes de ele se tornar uma pessoa pública. De filiação paterna inexata, foi acolhido em São Paulo na casa do reverendo Fernando Lopes de Camargo, que o abrigou junto com sua esposa Maria Gertrudes de Camargo. Feijó era filho da irmã de Maria Gertrudes, Maria Joaquina Soares de Camargo, então solteira, que acabou por cria-lo na casa na casa de Fernando Lopes. O debate sobre suas origens atormentou Feijó por toda sua vida, fazendo com que, em seu testamento, deixasse a seguinte afirmação: “Para desfazer a maledicência, a calúnia e a infâmia, declaro que sou filho de Maria Gertrudes de Camargo e Félix Antônio Feijó”.

Conhecido como Regente Feijó e Padre Feijó, foi um sacerdote católico contraventor e um político liberal, mas acima de tudo, um estudioso. Iniciou sua carreira como professor de história, geografia e francês, além de ter sido o primeiro a tratar do pensamento kantiano no Brasil, tendo seu nome ligado à história da filosofia no país.

Foi eleito deputado em São Paulo às Cortes de Lisboa em 1821, sua atitude política era progressista e cheia de sentimentos democráticos. Suas emendas apegavam-se aos princípios básicos do liberalismo: fidelidade aos direitos do homem e aplicação correta da democracia nas instituições do Estado. Foi nesta época que lutou pela permissão do casamento dos padres, arquitentando uma reforma da Igreja com bases na Constituição Civil do Clero na França.

Em 1828 foi eleito secretário da câmara e reeleito para a comissão de Negócios Eclesiásticos. Discutiu a questão dos padres estrangeiros no Império, acusando-os de infiltrados do absolutismo e inimigos do sistema constitucional. Dois anos mais tarde, Feijó escreveria em anonimato uma das obras mais raras do país atualmente: “O Guia das Câmaras Municipais do Brasil no Desempenho de seus Deveres”, na qual fala sobre a preocupação dos liberais em disciplinar as câmaras municipais.

No ano de 1831 torna-se Ministro da Justiça, enfrentando a revolta do corpo de polícia no Campo de Honra (RJ) e posteriormente criando a Guarda Nacional. Defendeu a substituição do trabalho escravo pela colonização agrária dos imigrantes, a regulamentação do ensino primário, a reorganização do serviço alfandegário e fez recomendações especiais para a escolha de pessoas a integrar o Estado Eclesiástico, elevando o nível moral e intelectual do clero. Feijó renunciou ao cargo em 1832.

Um ano depois, eleito Senador após o falecimento do Marquês de Santo Amaro, Feijó tratou de assuntos como a Reforma do Código de Processos, na qual defendia uma revisão do habeas-corpus, da questão do meio circulante e moedas de cobre; e da fixação do subsídio aos membros da Assembléia. Neste período ele fundou, junto com seu amigo, o padre Miguel Arcanjo Ribeiro de Castro Camargo, a publicação “O Justiceiro”.

Foi eleito pela Assembléia Geral, Regente do Império em 1835, após a proclamação do Ato Adicional, que transformava a Regência Trina em Una. Teve dificuldades para formar o ministério, mas após muitas recusas, conseguiu recrutar quatro conselheiros para os assuntos: Império e Justiça, Estrangeiros, Fazenda; e Guerra e Marinha. Tinha uma proposta progressista, mas poucas pessoas para apoiá-lo. Os ministros não o aturavam e vive-versa.

Após perder apoio e ter seu quadro político diminuído, Feijó organiza um ministério pífio em 1836. Desamparado, ele não resiste às pressões do povo e dos conservadores. Em 1837, nomeia ironicamente seu adversário político Pedro de Araújo Lima para substituí-lo na regência. Feijó ainda seria preso após se envolver na Revolução Liberal de 1842.

Com uma idade avançada e a saúde debilitada, falece no dia 10 de novembro de 1843 após uma parada cardiorespiratória.

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Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Período_regencial
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u700.jhtm


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