| Por Antonio Gasparetto Junior |
Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu no município gaúcho Vila de São Gabriel no dia 12 de maio de 1855. Vinha de uma família de tradição militar, na qual o pai era capitão e seu tio, Deodoro da Fonseca, seria marechal e Presidente da República. Com o apoio do pai seguiu as tradições familiares e entrou para a Escola Militar da Praia Vermelha em 1872, terminou o curso e teve uma carreira militar rápida e brilhante. Em 1905 se tornou General de Divisão e já no ano seguinte, 1906, por ato do então presidente Rodrigues Alves, chegou ao posto de Marechal no dia 6 de novembro.
O marechal Hermes da Fonseca não tinha interesse nenhum em entrar para a política, sempre desenvolveu suas funções militares com muito gosto e afinco, o que o fez ser reconhecido por postura honrosa. Os grupos políticos que apoiavam Hermes da Fonseca insistiram muito para efetivar a candidatura do marechal à Presidência da República, que depois de tanto recusar acabou cedendo. Foi então eleito no dia 15 de novembro de 1910 para o cargo de presidente marcando um período de aliança entre os políticos do Rio Grande do Sul e os militares. A política do café com leite saiu fragilizada em sua eleição, Minas Gerais e São Paulo não chegaram a um acordo para ocupar a presidência e nesta lacuna entrou o militar gaúcho.
O governo de Hermes da Fonseca não teve início fácil, logo no primeiro ano estourou uma revolta na capital da república. Inconformados com a situação da Marinha Brasileira, sobretudo em relação aos castigos físicos que eram aplicados legalmente, um grupo de marinheiros tomou embarcações oficiais da Marinha e apontou os canhões para o Rio de Janeiro exigindo melhores condições de trabalho e o fim dos castigos físicos. Esse fato ficou conhecido como Revolta da Chibata, a qual o presidente resolveu através de acordo com os marinheiros.
Em 1912, no dia 12 de setembro, uma outra revolta, dessa vez de caráter messiânico estourou entre os estados de Santa Catarina e Paraná, na região sul do país. O beato José Maria liderou os revoltosos em busca do estabelecimento de uma “monarquia celestial”, onde não houvesse impostos e propriedades privadas. Ao contrário da Revolta da Vacina, que foi resolvida rapidamente, a Guerra do Contestado só foi se encerrar no governo de Venceslau Brás, em 1915.
No desenrolar de sua política também foram gerados problemas. O presidente Hermes da Fonseca idealizou a chamada política salvacionista, a qual se baseava na intervenção dos militares nos estados destituindo os governadores e substituindo-os por outros indivíduos que seriam nomeados pelo próprio presidente. A justificativa para a política salvacionista era de se afastar a corrupção ou qualquer tipo de falcatrua, mas na prática era um exemplo de como a disputa política, tipicamente latifundiária, se caracterizava na República Velha. Com tais medidas os preceitos republicanos eram absolutamente desrespeitados, só foi capaz de causar instabilidade e mais crise política, gerando várias outras revoltas contra os interventores.
O presidente também criou uma lei estabelecendo que os imigrantes envolvidos com questões de greves seriam expulsos do país, causando novamente revoltas. Por todos esses motivos Hermes da Fonseca passou a maior parte de seu mandato sob estado de sítio.
Mas apesar de todas as crises e revoltas a gestão de Hermes da Fonseca também foi capaz de promover iniciativas pioneiras e realizações administrativas. Foi durante seu governo que a rede ferroviária se expandiu significativamente, que a cultura do trigo ganhou vida, que foi criada a Escola Brasileira de Aviação em 1913 e que foram construídas Vilas Operárias.
Para o novo processo eleitoral Minas Gerais e São Paulo voltaram a se entender para combater a candidatura de outro gaúcho, Pinheiro Machado, que fora indicado por Hermes da Fonseca. Os partidos republicanos de Minas Gerais e de São Paulo lançaram o mineiro Venceslau Brás que venceu o pleito eleitoral.
Depois de deixar a presidência Hermes da Fonseca candidatou-se para o governo do Rio Grande do Sul, mas recusou assumir o cargo em protesto contra o assassinato de Pinheiro Machado. Mudou-se então para a Suíça, afastando-se da vida política, e só voltou ao Brasil em 1920, fazendo residência em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Passou seus últimos anos entretido na pequena oficina de artesanato que montou em sua casa e faleceu por conta de uma síncope cardíaca no dia 9 de setembro de 1923.
Fontes:
http://www.duplipensar.net/dossies/historia-das-eleicoes/presidente-hermes-da-fonseca.html
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u55.jhtm
http://www.brasilescola.com/historiab/hermes-fonseca.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermes_da_Fonseca
| Data de publicação: 29/01/2010 Categorias: Biografias |
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