João Goulart

Por Tiago Ferreira da Silva
João Goulart foi o último presidente do Brasil antes da instauração do Regime Militar (1964-1985). Nascido no dia 1 de março de 1918 na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, formou-se em Direito em 1939 e ingressou na política em 1946, ajudando a formar o Partido dos Trabalhadores do Brasil (PTB).

Jango, como era conhecido, iniciou na política por acaso. Seu pai, dono de um grande estancieiro em São Borja, era amigo íntimo de Getúlio Vargas e chegou a cogitar a possibilidade de vê-lo como político. Com a morte dele, Jango herdara as extensas propriedades e uma grande quantia de dinheiro.

Em 1945, quando Getúlio Vargas retornou à sua cidade natal, visitou as propriedades de Jango e o convidou a ingressar na política, como presidente do PTB. Aos poucos, ele tornou-se deputado estadual e grande confidente do ex-presidente.

Getúlio Vargas o convenceu de participar das eleições de 1950 e, em 1953, o nomeou como Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, durante seu segundo mandato como presidente do Brasil (1951-1954).

Com a morte de seu padrinho político, Jango, que ainda era presidente do PTB, foi lançado como vice de Juscelino Kubitschek. Apesar de ter perdido em votação para ocupar uma cadeira do Senado em 1954, durante o governo de Kubitschek, Jango conseguiu, através de uma medida constitucional, presidir o Senado, entre os anos de 1956 e 1961.

Quando Jânio Quadros chegou à presidência, em 1961, Jango novamente se lançou como vice. Porém, com a renúncia de Jânio, ele só assumiu após a aprovação de uma emenda institucional que alterava o sistema político presidencialista para parlamentarista. Sendo assim, Jango tinha menos poder político, pois atuava como primeiro-ministro.

Em janeiro de 1963, a organização de um plebiscito popular pede a volta do presidencialismo, mas as alas radicais de direita e esquerda ameaçam deturpar a democracia instituída no país. João Goulart era ovacionado por seus eleitores pela aproximação com os trabalhadores e sindicatos e a promessa de garantir uma vida melhor aos mais pobres.

No dia 13 de março de 1964, Jango realiza um comício na estação Central do Brasil, Rio de Janeiro, prometendo a reforma agrária através da redistribuição de terras e uma política mais favorável aos pobres e trabalhadores. Muitos eram a favor dessas reformas políticas, mas os grupos de oposição não demorariam a se manifestar: uma semana após o comício, padres, empresários e católicos, com o apoio do governador Adhemar de Barros, se reuniram em uma marcha contra a reforma agrária e a ameaça do espectro do comunismo, que ficou conhecida como Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Os setores mais conservadores viam o discurso de Jango como pró-comunista, o que assustava as alas de direita do país. Essa era a justificativa para a instauração do Golpe Militar de 1964, que contava com o amplo apoio da imprensa e dos partidos de direita.

Destituído da presidência, Jango se refugiou em Montevidéu, Uruguai, onde ainda participou da Frente Ampla em parceria com seu ex-opositor político Brizola na tentativa de restabelecer o regime democrático no Brasil. Sem poder voltar a sua terra natal, morreu no exílio, aos 76 anos, na cidade de Mercedes, Argentina.

Fontes:
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u63.jhtm
http://www.brasilescola.com/historiab/joao-goulart.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_da_Fam%C3%ADlia_com_Deus_pela_Liberdade


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