Rodrigues Alves

Por Antonio Gasparetto Junior
Rodrigues Alves foi o terceiro presidente civil e paulista seguido a ocupar o cargo de Presidente do Brasil. Graças ao governo esforçado de Campos Sales para reduzir os danos econômicos do país, Rodrigues Alves assumiu em melhores situações financeiras e dedicou seu governo a uma revitalização e modernização dos espaços públicos que passavam por situações de degradação.

O paulista, nascido na cidade de Guaratinguetá em 7 de julho de 1848, Francisco de Paula Rodrigues Alves era filho do português Domingos Rodrigues Alves com Isabel Perpétua Marins. Teve sua formação básica no Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, em regime de internato e mais tarde formou-se em Letras na Academia do Largo de São Francisco na turma de 1870.

Voltando para Guaratinguetá exerceu as profissões de juiz de paz, promotor e advogado. Entrou então para a política e foi eleito vereador pela mesma cidade de Guaratinguetá. Tornou-se ainda um empresário do café de grande sucesso e enorme riqueza, a qual foi considerada a terceira maior fortuna do país. Morava em uma fazenda com 400 cômodos.

Logo foi eleito deputado provincial por São Paulo, representando o Partido Conservador. Exerceu dois mandatos, de 1872 a 1875 e também de 1878 a 1879. Em 1885 foi eleito deputado geral, ainda pelo Partido Conservador, permanecendo no posto até 1887, quando finalmente assumiu a presidência da província de São Paulo, até 1888. Neste ano sua ocupação foi como conselheiro do Império.

Nos dois últimos anos da Monarquia no Brasil, 1888 e 1889, voltou a ser deputado provincial. Já no início do período republicano tomou lugar na Assembléia Nacional Constituinte como deputado, onde permaneceu até 1891. Após a renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, tornou-se ministro da Fazenda do presidente Floriano Peixoto entre 1891 e 1892, voltando ao cargo no governo de Prudente de Morais, entre 1895 e 1896. Daí seguiram-se dois mandatos como Senador do estado de São Paulo representando o Partido Republicano Paulista (PRP), tendo fim em 1900.

Em 1902 Rodrigues Alves foi eleito então Presidente da República, assumindo no dia 15 de novembro. Sua eleição foi fruto do acordo político chamado de Política dos Governadores elaborado e implantado pelo seu antecessor Campos Sales. Rodrigues Alves representava também o acordo estabelecido entre as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo.

O governo de Rodrigues Alves foi beneficiado pela recuperação econômica promovida por Campos Sales no mandato anterior. O ex-presidente trabalhou no momento mais difícil, no qual era preciso fazer alguns sacrifícios e esforços para colocar a economia nacional nos eixos. O resultado de seu empenho foi aproveitado por Rodrigues Alves, que desfrutando de mais dinheiro nos cofres públicos dedicou seu governo a recuperação dos espaços públicos que estavam em situações de calamidade. O dinheiro era proveniente dos capitais estrangeiros e do repentino estouro da borracha amazônica no mercado mundial.

As ações do presidente tiveram enfoque maior na então capital da República, Rio de Janeiro. Para a prefeitura da capital nomeou o engenheiro Pereira Passos, dando-o plenos poderes para promover uma modernização na cidade. Esta se deu através de ampliação do porto, alargamento de ruas e construção de avenidas. Além disso, regulamentaram-se novas posturas políticas, como a proibição do comércio ambulante.

Politicamente, no escopo interno, o presidente Rodrigues Alves combateu a primeira greve geral ocorrida na capital republicana, no dia 15 de agosto de 1903. Já externamente, foi em seu governo que o Tratado de Petrópolis foi assinado. Este definiu os limites entre Brasil e Bolívia e determinou que o território do Acre seria de possessão brasileira.

Embora não fosse interesse de Prudente de Morais, o Convênio de Taubaté foi concluído e aprovado em seu governo pelo Congresso Nacional. Através de tal convênio ficava estabelecido que o governo federal compraria o excedente da produção de café para valorizar o preço do produto no mercado mundial, o que satisfazia a vontade da oligarquia cafeeira.

No tocante social ocorreu a famosa Revolta da Vacina. O médico e cientista Osvaldo Cruz, que dirigira o Instituto Manguinhos, foi nomeado pelo presidente como diretor geral de Saúde Pública, com a responsabilidade de combater as epidemias presentes de peste bubônica e febre amarela. Em 1904 estabeleceu-se a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, representantes do governo iam até a casa das pessoas para cumprir o estabelecido. Inconformados e com pouco conhecimento sobre o assunto, a população se rebelou contra a vacinação tomando as ruas do Rio de Janeiro em protesto no dia 10 de fevereiro.

Após deixar a presidência, Prudente de Morais voltou a governar o estado de São Paulo entre 1912 e 1916. Entre 1916 e 1918 exerceu mais uma vez o cargo de Senador e foi eleito neste último ano Presidente da República. Entretanto, Prudente de Morais estava com a saúde debilitada e não teve condições de tomar posse, acabou falecendo no Rio de Janeiro no dia 16 de janeiro de 1919.

Hoje é considerado o presidente da República Velha que mais se preocupou com a população. Recebeu como homenagem seu nome empregado na cidade de Presidente Alves (SP).

Fontes:
MELO FRANCO, Afonso Arinos de, Rodrigues Alves: Apogeu e Declínio do Presidencialismo, 2 vols., José Olympio Editora, 1973.
http://www.portalbrasil.net/politica_presidentes_rodriguesalves.htm
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u53.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodrigues_Alves


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