Guerra dos Mascates

Por Tiago Ferreira da Silva
Guerra dos Mascates foi um conflito gerado no estado de Pernambuco entre os comerciantes de Recife e os latifundiários de Olinda, em 1711, para determinar quem detinha o poder central do estado.

A definitiva expulsão dos holandeses em 1654 havia deixado Pernambuco em uma grave situação econômica, pois todo o investimento na extração do açúcar foi abalado com a baixa do produto no cenário internacional. Os olindenses, que controlavam o produto, perderam seus lucros com o domínio holandês do açúcar das Antilhas, fazendo com que aumentasse a concorrência e quebrasse o monopólio pernambucano.

Recife, que até então era uma cidade que vivia às sombras de Olinda, estava se tornando um importante polo urbano graças ao seu extenso porto e ao estímulo à prática comercial. Durante a estadia dos holandeses, a atual capital pernambucana era o principal centro administrativo, contribuindo para seu gradual crescimento econômico e independência do setor açucareiro de Olinda.

Com a crise do açúcar, os senhores de engenho olindenses pediram empréstimos aos comerciantes de Recife para tentar alavancar novamente a venda do produto. Vendo a economia de sua cidade ir por água abaixo, a Câmara Municipal de Olinda, que via Recife como “povoado”, decidiu elevar o preço dos impostos de seus contribuintes mercadores.

Em 1709, os comerciantes portugueses conhecidos como “mascates” tiram Recife da condição de “povoado” para se torná-lo uma “vila”, dando-lhe direito a ter sua própria Câmara Municipal e tornar-se independente da elite agrária de Olinda. Os olindenses ficaram abalados com a situação, pois temiam ser cobrados pelos empréstimos que pediram.

Sendo assim, em 1710 os olindenses invadem Recife e conseguem dominar temporariamente a câmara da cidade. Entretanto, uma investida militar articulada pelos portugueses reagiu contra os senhores de engenho, contando com o apoio de políticos de capitanias próximas.

No ano seguinte, ainda com a guerra entre recifenses e olindenses, a Coroa portuguesa exigiu que a situação fosse normalizada entre eles e nomeou Félix José de Mendonça, que havia apoiado os mascates, para governar o local.

Para que não houvesse sustentação do conflito, Félix estabeleceu que Recife e Olinda deveriam revezar semestralmente a administração de Pernambuco.


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