Motins do Maneta

Por Tiago Ferreira da Silva
No início do século XVIII, a Europa passava por constantes transformações políticas e econômicas devido aos rumos mercantilistas tomados pelas principais nações para estabilizar a região. A Inglaterra conseguiu se destacar como líder europeu na realização de acordos comerciais com os demais continentes contando com o apoio dos portugueses, que comandavam a maior parte do território americano de onde eles extraíam boa parte de recursos manufatureiros.

Todavia a França, liderada pelo rei Luís XIV, pretendia tomar o trono dos espanhóis, alegando que não havia descendência direta no governo daquele país. Os ingleses ficaram com medo de perderem sua hegemonia no continente e declararam guerra aos franceses, tendo Portugal como seu principal aliado.

Para atacar diretamente os ingleses, os franceses decidiram invadir a lucrativa colônia lusitana que sustentava os interesses econômicos da Inglaterra: o Brasil. Para tanto, enviou cinco naus com bandeiras inglesas falsas costeando o Rio de Janeiro, sob comando do corsário Jean François Duclerc, em 1710. O governador Francisco de Castro Morais percebeu a farsa e preparou uma defensiva, que conseguiu capturar com êxito os invasores.

Em setembro de 1711, os franceses enviaram um contingente maior de tropas até o litoral do Rio de Janeiro: eram cerca de 4.000 homens em 17 naus, munidos com mais de 700 canhões. Liderada pelo almirante René Duguay-Trouin, a tropa conseguiu invadir a capital carioca e exigiu do governador uma taxa de mais de 600.000 cruzados, 100 caixotes de açúcar e mais de 200 bois para retornarem à França.

A explícita fraqueza dos colonos levou-as a cobrar altas taxas de impostos na comercialização do sal e de escravos para arcar com a guerra contra os franceses. Os comerciantes da poderosa cidade de Salvador ficaram revoltados com a decisão dos colonizadores e organizaram motins, distribuindo cartazes que continham críticas à Coroa pela cidade. Nesse levante urbano, destacaram-se João de Figueiredo da Costa, conhecido como “Maneta”, e Lourenço de Almeida, chamado de “Juiz do Povo”.

Figueiredo da Costa conseguiu mobilizar grande parte da população e decidiu bater na porta do governador da cidade para exigir o fim das taxas sobre o sal. Intimidado, o governo acatou suas vontades, temendo o alastramento de um conflito maior.

Entretanto, Portugal e França estavam em guerra e, para atingi-los fortemente, os franceses decidiram invadir novamente o Rio de Janeiro. Os revoltosos de Salvador não admitiam a passividade dos colonos e exigiram o envio de tropas lusitanas para defender o porto carioca.

O Motim Patriota, como ficou conhecida a rebelião liderada por Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet, marchou com as tropas até o Rio de Janeiro, porém o almirante Duguay-Trouin decidiu tomar outro rumo devido ao mau tempo, aportando na Guiana Francesa.

Apesar da incitação popular motivada pelos motins, a Coroa Portuguesa decidiu puni-los severamente, açoitando-os em praça pública e cobrando altos impostos aos líderes do levante.

Fontes:
http://www.brasilescola.com/historiab/motins-maneta.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Motins_do_Maneta


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