Revolta de Vila Rica

Por Vanderlei Raimundo Faria
A Revolta de Felipe dos Santos ou Revolta de Vila Rica como também era conhecida, foi um movimento do tipo nativista ocorrido na primeira metade do século XVIII, precisamente em 1720, nos territórios do Estado de Minas Gerais onde havia muita produção aurífera, ou seja, produzía-se ouro em abundância nos tempos do chamado Ciclo do Ouro. Os motivos desta revolta, deu-se dentre outros, pelo forte aumento da cobrança arrecadadora de impostos nos ambientes mineiros, onde absurdamente conforme aos olhos dos revoltosos, eram mordidos pela coroa portuguesa nada menos que 20%, ou a quinta parte de todo produto aurífero extraído (imposto conhecido como o “quinto”). Cobrança esta que era executada nas Casas de Fundição, sendo proibido o trabalho de circulação do ouro em pepitas ou em pó, a ponto de serem aplicadas pesadas punições às pessoas que fossem flagradas quebrantando as respectivas leis de Portugal.

O povo estava insatisfeito com os ocorridos na colônia, dentre eles, destacavam-se como sentindo-se sobremaneira explorados, os que tinham como propriedades as minas de ouro, e os donos de comércios, devido as punições, os pagamentos das taxas de impostos abusivamente altas e pela fiscalização por parte da coroa portuguesa.

Em defesa da diminuição das ações fiscais metropolitanas, e da finalização das atividades por parte das Casas de Fundição, onde se arrecadavam os impostos, o tropeiro e bem sucedido fazendeiro Felipe dos Santos Freire, também proprietário de mulas tropeiras para o transporte de produtos mercantis, com idéias e discursos atrativos, ganhou a atenção da massa popular, e conquistou também a classe média dos setores urbanos de Vila Rica.

Deu-se então a revolta, cuja manifestação perdurou por um período aproximadamente 30 dias, onde os manifestantes revoltados equiparam-se com armamentos chegando a tomar Vila Rica. Mediante tal tensão, o Conde de Assumar que governava aquela região, convocou os manifestantes para uma negociação, pedindo que deixassem os armamentos. Assim que apresentou promessas aos sediciosos acalmando-os, deu ordens de invasão às tropas, para que atacassem dominantemente a vila, ocasião na qual incendiaram as moradias dos líderes da revolta, prendendo-os e enforcando mediante sentença de julgamento, ao considerado líder majoritário Felipe dos Santos, o qual também acabou sendo esquartejado.

E como consequência desta Revolta de Felipe dos Santos, a fiscalização nos ambientes regionais das minas foi intensificada, objetivando ações combatedoras ao ouro contrabandeado e a evasão de fiscal; criando-se também a Capitania de Minas Gerais, para na região fortificar o controle. Sendo considerada por diversos historiadores, devido suas características contra o sistema político da metrópole, de protesto e nativistas, como uma causa ou contribuinte para o fato histórico da Inconfidência Mineira.


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