Tratado de Badajoz (1801)

Por Tiago Ferreira da Silva
Entre o fim do século XVIII e início do século XIX, França e Grã-Bretanha disputavam qual seria a maior potência hegemônica do globo. Portugal e Espanha, regiões fronteiriças, estratégicas por se localizarem próximo ao Oceano Atlântico, eram alvo de disputa de influência dos dois gigantes europeus.

A Espanha era aliada da França e Portugal mantinha uma neutralidade com o país vizinho, enquanto mantinha comércio com a Grã-Bretanha autorizando a entrada e saída de mercadorias pelos seus portos.

Essa aliança anglo-portuguesa irritou Napoleão Bonaparte, então líder da França, que incitou os aliados espanhóis a combaterem os vizinhos portugueses, em um conflito que se denominou Guerra das Laranjas.

Ante o numeroso exército da Espanha, junto com guerreiros de Bonaparte, Portugal viu-se obrigado a ceder às exigências dos franceses firmando um acordo de paz em 6 de junho de 1801, o Tratado de Badajoz, assinado pelo Príncipe Regente de Portugal D. João VI e pelo rei da Espanha Carlos IV.

O acordo exigia que Portugal fechasse os portos aos navios da Grã-Bretanha e se responsabilizasse pelos prejuízos decorrentes do comércio lusitano com os britânicos. Em troca, a Espanha restituía os territórios conquistados de Jeromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, lhes devolvendo todas as munições de guerra que estavam sob supervisão dos espanhóis.

Porém, a região fronteiriça de Olivença, que antes fazia parte do território português, permaneceria como trunfo da Espanha.

Só que a França ainda retomaria as exigências do tratado para lhe garantir mais influência política e dominação territorial, culminando no Tratado de Madri. Em setembro de 1801, forçou Portugal a lhe conceder metade do território do Amapá, que fazia parte de sua colônia, o Brasil, para a criação da fronteiriça colônia da Guiana Francesa. Além de manter o Tratado de Badajoz com a Espanha e ceder parte de sua colônia, Portugal ainda teve que pagar uma quantia de 20 milhões de francos para os franceses, a mando de Napoleão Bonaparte.

A rigidez dos franceses nas relações internacionais com Portugal fez com que D. João recuasse. Napoleão entendeu esse ato como uma afronta e decidiu, junto com os espanhóis, invadir o território português, dando início à Guerra Peninsular em 1807. D. João, que se viu obrigado a se retirar de seu país, se refugiou para o Brasil e recusou-se a cumprir as normas do Tratado de Badajoz no dia 1 de maio de 1808, inclusive deixando de reconhecer a ocupação em Olivença, território que até hoje permanece sob domínio da Espanha.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Badajoz_(1801)

http://www.arqnet.pt/exercito/tratado_badajoz.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Peninsular

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