Cabanada

Por Tiago Ferreira da Silva
Os habitantes e negros escravos de Pernambuco e Alagoas acabaram sendo prejudicados com a abdicação de D. Pedro I ao trono, em 1831. O Brasil, órfão de um líder regente (pois D. Pedro II, herdeiro do trono, ainda era criança), sofreu diversos conflitos sangrentos, entre eles a Cabanada, em 1832.

O que simbolizava a luta dos revoltados na Cabanada era o direito às terras e às melhores condições de vida. Ela foi sustentada por um pequeno deslize dos grandes proprietários: com a anistia dos poucos oposicionistas sobreviventes da Confederação do Equador (1824), os senhores de engenho temiam que eles ocupassem suas terras e, de forma preventiva, trataram de preparar seus escravos e vassalos com armistício pesado para enfrentá-los quando viessem.

Preocupado, o governo ordenou uma junta de 1.000 homens do exército inspecionar os estados, com medo de que alguma dissidência ocorresse no local. Em 1832, os ‘cabanos’ – como os soldados chamavam os revoltados armados, em alusão às pequenas cabanas no meio do mato em que viviam – se mostraram resistentes à ofensiva e derrotaram facilmente os homens enviados pelo governo.

cabanada

O nome do líder Vicente de Paula, que comandava os cabanos, começou a ser alastrado como figura transgressora e aliciadora de escravos em todo o governo. Eles o acusavam de roubar empregados dos grandes proprietários para incitá-los à batalha armada contra os portugueses. Entretanto, os próprios nativos forçados a trabalhar sentiam que essa revolta era um passo para se libertarem da repressão dos senhores de engenho. Só esse argumento explicaria a adesão de mais de 3.000 homens sob a ordem do capitão Vicente de Paula para exigir a volta do imperador D. Pedro I e a hegemonia da Igreja que, segundo seus protestos, estava ameaçada com a entrada dos jacobinos no governo.

Vicente de Paula tinha uma larga vantagem em relação ao exército; batalhava na mata, terreno amplamente conhecido pelos escravos e índios de Jacuípe, que também aderiram à causa. Em um momento, o governo tentou cercar a mata, mas foi surpreendido com a força do temerário batalhão dos “papa-méis”, formado somente por refugiados escravos.

Os cabanos levavam os corpos dos generais mortos no conflito como trunfo de sua vitória.

Em 1834, D. Pedro I faleceu na Europa, o que acabou desanimando os cabanos a enfrentarem o governo. Mesmo assim, os governadores de Pernambuco e Alagoas, Manoel de Carvalho Paes de Andrade e Antonio Pinto Chichorro da Gama, não se inquietaram com o suposto fim da Cabanada e decidiram cercá-los na mata, com um exército de mais de 4.000 homens. Eles prometiam anistiar os dissidentes que se entregassem e, de fato, conseguiram capturar, graças à armadilha, um grande número de combatentes.

Mas o líder Vicente de Paula, que seria o grande prêmio dos governadores, só foi preso em 1848 numa emboscada política armada pelo marquês do Paraná, Honório Hermeto Carneiro Leão.

Vicente foi enviado para Fernando de Noronha e só foi solto em 1861, quando tinha 70 anos de idade.

Essa revolta inspirou, em 1835 no Pará, a Cabanagem.

Fontes:
http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2139
http://recantodasletras.uol.com.br/resenhas/449137


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