Campanhas Abolicionistas

Por Antonio Gasparetto Junior
Desde quando a Inglaterra proibiu o tráfico negreiro, a manutenção da escravidão ficou comprometida. O país, que então liderava o mundo, fazia pressão para que a mão de obra escrava fosse substituída pela assalariada. Em 1863 os Estados Unidos decretaram o fim da escravidão em seu território, tal ato fez com que o trabalho compulsório restasse no continente americano apenas em Cuba e no Brasil.

No Brasil ocorreram várias manifestações isoladas de políticos e intelectuais ao longo da primeira metade do século XIX, mas que ainda eram insuficientes para afetar os escravistas e a ordem vigente no país. Foi só a partir da década de 1870 que as campanhas abolicionistas atingiram significativa representatividade e começaram a tomar corpo. Os escravistas insistiam na utilização do trabalho forçado dos negros, mesmo com um contexto internacional completamente desfavorável. Contra a situação, jovens, advogados, jornalistas, estudantes e intelectuais se mobilizavam cada vez com mais audácia pelo fim da escravidão. Foram cúmplices em várias fugas de negros, ajudando-os a formarem quilombos urbanos no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo. Entretanto só isso não bastaria, restavam ainda cerca de 750 mil escravos no Brasil.

Principais ativistas

Luís Gama

Luís Gama

A adesão de grandes nomes ao movimento abolicionista fez com que a causa ganhasse mais força. Foi o caso de: Joaquim Nabuco, João Alfredo, Eusébio de Queirós, Teodoro da Silva, Tavares Bastos, Rui Barbosa, Tobias Barreto, José do Patrocínio, Souza Dantas, Pimenta Bueno, André Rebouças e Luís Gama.

Aos poucos foram surgindo publicações e organizações de cunho abolicionista. Em 1880 foi criada, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, por Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Seu exemplo foi fundamental para que diversas outras organizações se apresentassem pelo Brasil. Havia também o jornal O Abolicionista e a Revista Ilustrada que se dedicavam especialmente ao tema da abolição.

Um nome de destaque na luta pelo abolicionismo é Luís Gama. Este fora escravo quando mais jovem, conseguiu fugir de seu senhor proprietário e se alistar no exército. Mais tarde se tornou jornalista e advogado. Com seu trabalho incansável pela defesa da causa dos negros, conseguiu custear a alforria de mais de mil escravos.

A adesão ao movimento foi progressiva e consolidadora. Mesmo que pouco se comente, a Igreja Positivista do Brasil teve grande atuação no movimento. Já a Maçonaria esteve presente em todos os momentos, todos os grandes nomes do abolicionismo eram maçons.

Leis Abolicionistas

A escalada rumo à abolição começou em 28 de setembro de 1871 com a promulgação da Lei do Ventre Livre. Anos mais tarde, em 28 de setembro de 1885, entrou em vigor a Lei Saraiva-Cotegipe, que ficou mais conhecida como Lei dos Sexagenários. Na década de 1880 a situação da escravidão no Brasil já estava completamente minada, a abolição já era reconhecida como muito próxima. O ponto alto da campanha abolicionista se deu em 1887 quando o Marechal Deodoro da Fonseca enviou uma petição à Princesa Isabel pedindo que as tropas regulares no exército não fossem mais encarregadas de capturar escravos fugidos, deixando claro que o exército já não participava mais da ordem escravista que ainda insistia em permanecer. No ano seguinte, sem ter como resistir mais, a Princesa Isabel decretou o fim da escravidão no Brasil, no dia 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea.

Embora o caso do Marechal Deodoro da Fonseca possa parecer um apontamento para o que iria ocorrer em 1889, a verdade é que muitos abolicionistas não eram republicanos e vice-versa. Só foram se tornar bloco único após a proclamação da República.

Leia também:

Fontes:
http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/glossario/c/campanha-abolicao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abolicionismo_no_Brasil
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/11/16/001.htm


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