Guerra do Prata

Por Rodrigo Batista
A Guerra do Prata (1851-1852), ou Guerra contra Oribe e Rosas, foi uma disputa ocorrida no século XIX entre o Império Brasileiro, Confederação da Argentina e a República Oriental do Uruguai pela hegemonia na região do Rio do Prata. Ela faz parte de uma série de confrontos por terras e poder que se sucederam desde o período colonial. O episódio consolidou a influência do Império Brasileiro na América do Sul e contribuiu para a permanência da monarquia no país.

Juan Manuel de Rosas

Juan Manuel de Rosas

Na primeira metade do século XIX, com a ascensão de Juan Manuel de Rosas – governador da Província de Buenos Aires (1829 -1852) –  ao poder na Argentina, a guerra civil no Uruguai e o processo de independência do Brasil, ampliou-se a instabilidade na região do prata. O ditador argentino após violenta guerra civil conseguira submeter as demais províncias à supremacia de Buenos Aires, configurando-se como o principal líder da Confederação da Argentina. Ele desejava recriar o antigo Vice-reinado do Prata, integrando territórios de Uruguai, Paraguai, Bolívia, e, por esse motivo, apoiou Manoel Oribe em sua tentativa de assumir o controle do Uruguai. Oribe conseguiu dominar quase todo o país, com exceção de Montevidéu.

Na tentativa de conciliar o Império do Brasil, comandado por D. Pedro II, com o Governo de Rosas, vários ministros das relações estrangeiras sucederam-se no período que vai de 1844 a 1849, entre eles Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda. O objetivo da diplomacia brasileira era buscar o reconhecimento da independência do Uruguai e coibir a afronta de Rosas contra a soberania brasileira, em especial no Rio Grande do Sul. A política do ditador argentino também ameaçava o contato entre o Mato Grosso com o restante do país. No entanto, todas as tentativas se mostraram falhas, pois Rosas mantinha a intenção de dominar a região. Inglaterra e França, percebendo o perigo de um único país controlar pontos considerados estratégicos, investiram contra a Argentina, mas não obtiveram sucesso.

Entre os atos de Rosas e Oribe se destacam o apoio aos revolucionários da Farroupilha (1835-1845) e  a  tentativa de dominar o Uruguai e o Paraguai. A partir de 1851, as ações na região do Prata passaram a ser militares. O Brasil financia a resistência a Oribe e assina um Tratado de Aliança com as províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes, e com Montevidéu. As tropas brasileiras comandadas por Luís Alves de Lima e Silva – o futuro Duque de Caxias – entram em confronto em 1851. Elas invadiram o Uruguai e depuseram o General Oribe, que fugiu em seguida para a Argentina.

Após a retirada de Oribe e assinados os tratados do fim de guerra, as tropas brasileiras unidas a uruguaios e as províncias argentinas rebeldes invadem a Argentina. A Guerra do Prata termina com a vitória dos aliados na Batalha de Monte Caseros, depondo Juan Manuel Rosas em 3 de fevereiro de 1852.  O sucesso da empreitada estabelece a hegemonia brasileira na região do Prata e gera estabilidade política e econômica ao Império do Brasil.

Fontes:
http://www.ahimtb.org.br/confliext11.htm
http://www.anpuhsp.org.br/downloads/CD%20XIX/PDF/Autores%20e%20Artigos/Saionara%20Gomes.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Prata
LADEIRA, Saionara Gomes. A Missão Estrangeira no Rio da Prata(1851-53): A diplomacia brasileira em defesa do Império. Disponível em: http://www.encontro2008.rj.anpuh.org/resources/content/anais/1212961916_ARQUIVO_TextoSimposio-ANPUHRio.pdf Acessado: 20/12/2009


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