Missão Artística Francesa

Por Cristine Delphino
Em 1807, o príncipe regente de Portugal, Dom João, encurralado e com medo de ser preso, fugiu com a família real para terras brasileiras. Foi assim que o país passou a receber forte influencia cultural europeia. A partir de 1815, com a queda de Napoleão, os laços entre Portugal e França são retomados. Um ano depois, desembarcaram no Rio de Janeiro, um grupo de artistas franceses, liderados por Joachim Lebreton. Neste grupo encontravam-se artistas como Debret, Nicolas Taunay, Auguste Marie Taunay, Grandjean de Montigny e Charles- Simon Pradier.

A origem da Missão Artística Francesa é incerta e até hoje, muitos se dividem quanto a duas versões.

Na primeira teoria acredita-se que o conde de Barca teve a ideia de lançar uma Instituição de artes visuais na nova capital do reinado, o Rio de Janeiro, e então sugere isto para Dom João que aceita e pede para o representante do governo lusitano na França, o marquês de Marialva, contratar um grupo de artistas. Desta forma, o representante chega até Lebreton que se encarrega da formação do grupo.

Já a outra versão diz que a missão foi reflexo do desenvolvimento através da iniciativa própria dos artistas que eram partidários de Napoleão Bonaparte e se sentem prejudicados pela acensão de Bourbon ao poder, resolvem então aventurar-se pelo Brasil e são muito bem aceitos por D. João, que vê neles a esperança de renovar a capital. Há ainda historiadores que acreditam em um pouco de cada versão, acreditam que Dom João queria abrir uma Instituição e que Lebreton e seus companheiros sabendo disso oferecem os seus serviços para a corte, com o intuito de deixar a França.

No dia 12 de agosto de 1816, o príncipe fundou através de um decreto a “Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios”, conhecida hoje como “Universidade Federal do Rio de Janeiro”. O problema é que a escola não funcionava devido a fatores políticos e sociais e só abriu as portas dez anos depois por via de outro decreto, um de muitos que até chegaram a mudar o nome da escola por duas vezes, o primeiro para “Real Academia de Desenho, Pintura e Arquitetura Civil” e o segundo para “Academia e Escola Real”.

Debret

Pintura de Debret

Mesmo com toda a demora para o Instituto funcionar, os franceses não ficaram parados. O arquiteto Grandjean criou os projetos da Academia de Belas-Artes, da casa da Moeda e do Solar da Baronesa; Nicolas Taunay encantou a todos como pintor de paisagem destacando em seus quadros as pinturas exóticas da natureza tropical, entre eles o “Morro de Santo Antônio em 1816”; já Debret fez diversos retratos da família real e aquarelas sobre o cotidiano da cidade. Os artistas baseavam-se no modelo neoclássico (estilo que propunha a volta da arte clássica da Antiguidade) para pintarem, esculpirem ou desenharem.

Neste período de dez anos foram muitos que ficaram frustrados ao perceberem que aquela realidade era distante daquilo que idealizaram. O Governo se virava em mil para dar conta de assuntos do estado como a da situação da Europa, as revoluções em terras brasileiras, os altos custos da corte e entre outros. O principal apoiador da Missão, o conde Barca morreu em 1817 e o cônsul substituto não era a favor dos artistas franceses que a esta altura viviam da pensão cedida pelo governo. Para piorar, no ano de 1819, Lebreton morreu e foi então que o pintor português Henrique José da Silva ocupou o seu lugar, causando muito desconforto. O grupo contou ainda com algumas desistências como Nicolas Taunay e Debret que insatisfeitos retornaram para a França.

Fontes:
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=marcos_texto_esp&cd_verbete=4497
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/missao_artistica.html
http://www.historiadaarte.com.brriadaarte.com.br/missaofrancesa.html


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