Questão Militar

Por Antonio Gasparetto Junior
Após um longo reinado de Dom Pedro II, a situação começou a ficar instável para o imperador do Brasil. Encerrada a Guerra do Paraguai começaram a se intensificar as críticas que levariam a queda do Império.

Dom Pedro II enfrentou críticas de vários lados, eram oriundas de questões econômicas, militares e sociais. Com a crescente eliminação da utilização da mão-de-obra escrava, que se seguia através da Lei do Ventre Livre e da Lei dos Sexagenários e davam o claro indício de que não era mais possível sustentar a escravidão por muito tempo, o imperador foi perdendo progressivamente o apoio dos fazendeiros que tinham suas produções sustentadas pelo trabalho compulsório. No âmbito social os maiores problemas surgiram através de graves atritos existentes entre o Império Brasileiro e a Igreja Católica. Mas sem dúvida o problema que mais abalaria as bases de sustentação do regime monárquico seria aquele envolvendo os militares. A ação do exército foi impactante e foi justamente um militar que decretou em 1889 o fim do Império e proclamou a República Brasileira.

Ao longo do Segundo Reinado os militares enfrentaram questões que os reduziam na sociedade. O exército foi deixando gradativamente de ser um lugar de prestígio na sociedade, os filhos dos membros da elite já não tinham mais interesse em desenvolver carreira militar, assim a instituição sobrava apenas para filhos dos próprios militares, de funcionários públicos e chegaria a contar até mesmo com negros enquanto ainda escravos. Existiram alguns elementos que tornaram o desprestígio do exército tão acintoso.

A qualidade profissional e de vida dos membros do exército eram bastante preocupantes. Os militares sobreviviam depois de 1850 com baixíssima remuneração, de tal modo que era fato comum que muitos deles possuíam mais dois outros empregos para que pudessem ao menos pagar suas contas. A situação financeira era realmente grave. Além disso, a ascensão na carreira era muito complicada e lenta, sendo que os meios para ocorrer não se baseavam na meritocracia e sim em critérios personalistas. Isso ocorria mesmo o exército tendo uma formação mais técnica e uma estrutura organizacional mais democrática, só que as ordens de promoção vinham dos líderes da monarquia, o que tornava a situação tão personalista e atendia realmente só aos que tivessem os contatos adequados.

Nas relações com o Império, o exército era alheio às decisões do país. Os altos cargos da monarquia eram ocupados por civis que recebiam uma remuneração valiosa, enquanto os líderes do exército conviviam com suas situações precárias. Os militares não tinham autonomia nem na própria defesa do território, tinham apenas que seguir as ordens dos dirigentes da nação. O Imperador era quem dava a palavra final e sua decisão era sempre superior a de qualquer general.

Após algumas manifestações dos militares envolvendo questões militares na imprensa, foram proibidos até mesmo de se manifestarem por tais meios sem a devida autorização do Ministro da Guerra, que também era um civil.

A situação de contestação se agravou muito após a Guerra do Paraguai. Os nobres, desinteressados em formar as fileiras do exército no confronto com o país vizinho, enviaram seus escravos para compor o exército durante o combate. Sendo assim, a maior parte dos combatentes no conflito era formada por negros não alforriados e foram justamente eles que batalharam para garantir a vitória final para o Brasil. Depois do retorno do exército, os militares passaram a defender a liberdade para esses negros combatentes e melhores condições para aqueles que tanto batalharam pela causa do país. Saturados e insatisfeitos com a condição econômica, política e social os militares engrossaram a campanha abolicionista e também o movimento republicano.

Entre 1884 e 1887 desenvolveram-se uma série de conflitos que formaram o que ficou conhecido especificamente como A Questão Militar. Este foi um evento determinado dentro da grande questão militar que se diz corriqueiramente, a qual se agregou às questões sociais e econômicas para culminar com a queda do Império Brasileiro.

A Questão Militar aconteceu por conta dos desentendimentos oriundos no Piauí e no Rio Grande do Sul com o Ministro da Guerra. O civil Ministro da Guerra, Alfredo Chaves, enfrentou os ataques sofridos pelos coronéis Cunha Matos, do Piauí, e Sena Madureira, do Rio Grande do Sul. O Império prendeu os dois coronéis e sustentou que a política interna do país não era competência dos militares. Foi o momento que solidificou a insatisfação com o regime monárquico, formada ao longo de três décadas.

Em 1887 os militares se uniram e fundaram o Clube Militar para defenderem seus direitos e aspirações. Tinham como líder o Marechal Deodoro da Fonseca, o qual proclamou a república dois anos depois.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Questão_Militar
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u58.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclamação_da_República_do_Brasil


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