Revolta Praieira

Por Felipe Araújo
A Revolta Praieira foi uma rebelião liberal organizada que ocorreu em 1848. Neste mesmo ano, na Europa, aconteciam um conjunto de revoltas com ideais parecidos aos da Revolta Praieira. Todas de caráter liberal, nacionalista e democrático, iniciadas por trabalhadores, camponeses, membros da nobreza e da burguesia que exigiam governos constitucionais. Eram contrárias ao excesso de poder e ao crescimento exagerado das práticas do capitalismo.

No Brasil, no século XIX, a economia e a política da cidade de Pernambuco era dominada por poucas famílias, uma delas era a Cavalcanti, que possuía mais de um terço dos engenhos da província. Já o comércio, era dominado pelos portugueses. Desta forma, todo o poder da cidade estava nas mãos das oligarquias rurais e dos comerciantes lusitanos. Isso deu início a um processo de insatisfação da população urbana, composta por militares, padres, artesãos, mercadores e profissionais liberais.

Formado por republicanos liberais, o Partido da Praia criticava a má distribuição da renda em Pernambuco. Eles começaram a expressar suas idéias no jornal Diário Novo, localizado na Rua da Praia. Os membros do partido eram chamados de “praieiros”. Eles davam total apoio ao então presidente de Pernambuco Antônio Pinto Chichorro da Gama, que não tinha compromissos com os donos de engenhos e nem com os comerciantes portugueses.

Com o apoio do presidente, os praieiros chegaram ao poder durante o mandato de Antônio Pinto, entre 1845 a 1848. Porém, ao perceber a centelha de ideais de cunho liberal presente na política pernambucana, um gabinete conservador imperial depôs Chichorro da Gama, o que deu início à Revolta Praieira.

O líder da revolta foi Pedro Ivo, militar, e Borges da Fonseca, jornalista. Os dois começaram a divulgar as idéias praieiras em um documento chamado Manifesto ao Mundo. Entre suas propostas estavam: fim do voto censitário, liberdade total para a imprensa, trabalho garantido para todo e qualquer cidadão brasileiro, fim do poder moderador, proibição da prática do comércio aos portugueses, pleno funcionamento dos direitos do indivíduo e estabelecimento da federação.

Apesar de liberal, o plano político dos praieiros não tocou, em nenhum momento, nas questões referentes à escravidão.

A batalha entre os praieiros e as tropas imperiais durou menos de um ano. Os primeiros, sem armas e recursos bélicos, tinham dois mil homens em suas fileiras, sendo assim, não resistiram à repressão por parte do Império.

Borges da Fonseca, José Inácio Abreu e Lima, Jerônimo Vilela, entre outros, foram presos e condenados à prisão perpétua na ilha de Fernão de Noronha, mas, em 1851, foram anistiados. Preso e mandado ao Rio de Janeiro, Pedro Ivo ainda conseguiu escapar para a Europa, porém, morreu na viagem.

O fim da Revolta Praieira foi, também, o fim do conjunto de revoltas populares de cunho liberal e nacionalista que endossava a independência brasileira. Abatidas algumas idéias e rebeliões separatistas, fomentadas em reuniões de províncias, a elite política e o Império consolidaram a centralização do Estado. Assim, conservaram a unidade territorial do Brasil e afastaram o povo e as províncias do poder.

Fontes:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e geral. São Paulo: Editora Saraiva, 2005.
SCHMIDT, Mario. Nova História: Crítica. São Paulo: Editora Nova Geração, 1999.


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