| Por Antonio Gasparetto Junior |
A década de 1930 marcou o período entre guerras da história mundial, na Alemanha estava na liderança Adolf Hitler, enquanto na Itália quem comandava era Benito Mussolini. Ambos os regimes políticos eram autoritários baseados em práticas anti-semitas, a radicalidade dos regimes fascista, na Itália, e nazista, na Alemanha, estabeleceram um modelo reconhecido como fascismo.
No Brasil quem estava no poder durante a década de 1930 era o gaúcho Getúlio Vargas, o qual havia chegado à presidência através de um golpe de Estado que encerrou a política das oligarquias mineira e paulista. Getúlio Vargas ocupou o cargo de presidente com propostas de mudança para a realidade política e social dos brasileiros, seu discurso de mudança fez com que o povo o apoiasse na espera de melhores condições de vida. Entretanto as mudanças não vieram como esperadas, o que era para ser um governo provisório de transição apenas acabou se estendendo por 15 anos. Em 1932 estourou uma guerra civil de caráter constitucionalista por causa da insatisfação dos paulistas com o que estava acontecendo. Em 1934 Getúlio Vargas inaugurou um novo mandato presidencial e durante este daria um novo golpe que o permitiria estabelecer uma ditadura entre 1937 e 1945 garantindo sua permanência no poder, período do chamado Estado Novo. Ao longo de todos seus anos de governo, o presidente gaúcho foi deixando clara sua aproximação com as tendências fascistas e autoritárias que tomavam o mundo.
Além da aproximação com o fascismo por parte do presidente, surgiu no Brasil um movimento gerado por Plínio Salgado de caráter extremamente de direita. A Ação Integralista Brasileira defendia a família, a religião e outras condutas conservadoras, combatendo avidamente os comunistas. O grupo de Plínio Salgado era forte aliado e defensor do conservadorismo que Getúlio Vargas também defendia.
Por outro lado, surgiram vários movimentos insatisfeitos com as políticas nazi-fascistas e conservadores em vários países. No Brasil não foi diferente, em 1934 se organizou a Aliança Nacional Libertadora sob influência do Partido Comunista do Brasil. Formada a partir de várias reuniões realizadas na cidade do Rio de Janeiro por um pequeno grupo de militares e intelectuais inconformados com as aproximações fascistas, tinha por intenção dar suporte para as revoltas populares nacionais. A oficialização da Aliança Nacional Libertadora se deu através de um discurso na Câmara Federal em janeiro de 1935. Em fevereiro foi divulgado um programa de base que visava suspender o pagamento da dívida externa, nacionalizar as empresas estrangeiras, promover a reforma agrária protegendo os pequenos e médios proprietários, garantir liberdades democráticas e promulgar uma constituição popular.
Luís Carlos Prestes que havia ficado famoso e reconhecido por combater as tropas do governo ao longo de mais de 3 mil Km no Brasil com a famosa Coluna Prestes foi declarado o presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora. O já comunista estava à época na União Soviética e só retornou ao Brasil algum tempo depois por via clandestina. Enquanto isso a Aliança Nacional Libertadora crescia significativamente no Brasil através de promoções públicas como comícios e outros tipos de manifestações, possuía ainda dois jornais diários próprios para divulgação das atividades, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Luís Carlos Prestes preferiu se manter na ilegalidade após sua volta ao Brasil com a intenção de promover um golpe chamado de Intentona Comunista. A ANL crescia assim como a instabilidade política marcada por vários confrontos armados com os integralistas. Getúlio Vargas aproveitou-se da repercussão de que a ANL tinha por objetivo derrubá-lo do poder e instalar um regime comunista para ordenar o fechamento da organização de esquerda, baseando-se na Lei de Segurança Nacional que lhe dava o amparo legal para isso. A ANL caiu na ilegalidade e perdeu o contato aberto com a população, deixando o movimento vivo apenas dentro do Partido Comunista do Brasil por meio dos estudantes e tenentes. A tentativa de uma nova revolta contra o governo foi o pretexto para que em 1937 o presidente Getúlio Vargas declarasse o Estado de sítio e então desse o golpe do Estado Novo.
O lema “Pão, terra e liberdade” da Aliança Nacional Libertadora, que era tão combatente e teve tão rápido crescimento, permaneceu vivo mesmo na ilegalidade. A ANL ainda participaria de vários ataques terroristas e atentados até mesmo contra os que não estavam envolvidos com o regime militar nos anos seguintes.
Fontes:
http://www.ilcp.org.br/prestes/index.php?option=com_content&view=article&id=70:a-alianca-nacional-libertadora-anl-e-os-levantes&catid=18:artigos&Itemid=64
http://www.marcillio.com/rio/hiregcon.html
http://www.cecac.org.br/matérias/ANL_luta_antifascista.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliança_Nacional_Libertadora
| Data de publicação: 22/02/2010 Categorias: Brasil República, Ditadura Militar, Era Vargas |
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