Antecedentes da Revolução Constitucionalista de 1932

Por Antonio Gasparetto Junior
Quando Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil em 1930, encerrou um capítulo da história republicana no país. A ascensão do político gaúcho representou o fim das oligarquias no comando político, fato que só foi conquistado através de um golpe. Getúlio Vargas havia perdido a eleição presidencial do ano anterior para Júlio Prestes, mas, apoiado por grupos opositores, marchou partindo do Rio Grande do Sul para tomar o poder no Rio de Janeiro.

O governo de Getúlio Vargas iniciou uma nova fase republicana, mas teve desdobramentos que culminariam em situações extremas, incluindo combates armados. Getúlio instalou uma ditadura no país, suspendendo a Constituição, dissolvendo os congressos e nomeando interventores federais nos estados, menos em Minas Gerais. Além da centralização política, o novo governante também impôs a centralização econômica, sendo que todas as negociações com capital estrangeiro eram obrigadas a passar pelo Banco do Brasil. Os oposicionistas foram exilados e seus veículos de publicação fechados. O presidente de São Paulo foi preso e o estado passou a ser governado somente por interventores federais.

São Paulo, estado com forte poder oligárquico e que representava um dos grupos dominantes na república antes de Getúlio Vargas assumir o poder, ficou claramente irritado com as restrições que vinha recebendo. A primeira manifestação dos paulistas foi um comício para cerca de 200 mil pessoas na Praça da Sé, em 1932. A insatisfação era grande, pois os paulistas não tinham autonomia nem para governar seu próprio estado. Assim, partidos políticos de São Paulo se uniram para exigir uma nova Constituição.

No cenário que caracterizou os eventos antecedentes da Revolução Constitucionalista de 1932, um fato foi muito significativo e estopim para o acirramento dos desentendimentos entre políticos paulistas e governo federal. Esse fato foi a morte de cinco jovens pertencentes à Liga Revolucionária no centro da cidade de São Paulo, assassinados por partidários da ditadura. Os jovens eram conhecidos como Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Em função do assassinato e das iniciais de seus nomes, surgiu um movimento de oposição ao governo federal conhecido como MMDC. A partir daí, diversos setores da sociedade se uniram e se mobilizaram no luta por uma nova Constituição.

A união de diversos grupos gerou a trama armada para derrubada do governo de Getúlio Vargas. Os manifestantes queriam um país mais democrático, com direitos garantidos em uma nova Constituição. Getúlio Vargas chegou a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, em 9 de julho de 1932, mas a insatisfação já era grande e as desavenças muito claras. Algumas medidas apaziguadoras do chamado Governo Provisório, como esta, não foram suficientes para evitar o conflito que já vinha sendo tramado contra o governo federal. São Paulo logo deu início ao movimento revolucionário armado que culminou em uma pesada guerra civil no país.

Fonte:

VILLA, Marcos Antônio. 1932: Imagens de uma Revolução. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.