Campanha Civilista

Por Cristine Delphino
A Campanha Civilista ocorreu durante o período da República Oligárquica, que data dos anos de 1894 à 1930. A política brasileira era controlada por coronéis e barões do café, ou seja, por oligarquias agrárias e também contava com civis na presidência. Sendo ainda que as eleições presidenciais eram dominadas pela aliança entre os paulistas e mineiros, conhecida como café com leite.

No ano de 1906, o candidato mineiro Afonso Pena, apoiado pelo partido do PRM (Partido Republicano Mineiro) e pelo PRP (Partido Republicano Paulista), venceu as votações e assumiu o poder. Durante este período, Pena era a favor da candidatura do então governador de Minas Gerais, João Pinheiro para a presidência e também contava com o apoio da oligarquia paulista. Porém, antes que a campanha tivesse inicio a morte do governador colocou tudo no inicio.

Foi então que Afonso Pena passou a apoiar o seu ministro da Fazenda, Davi Campista que não tinha muito status entre as oligarquias, o que causou certo desconforto no quadro político. Até o senador Pinheiro Machado tentou persuadir o presidente que estava com a sua opinião tão formada acerca de seu sucessor que não mudou de idéia.

Enquanto isso, os políticos mineiros mais influentes passaram a apoiar a chapa Hermes-Wenceslau, encabeçada pelo aspirante, Marechal Hermes da Fonseca. Apesar do apoio mineiro, Hermes era do Rio Grande do Sul e foi este fato que fez com que contasse também com a ajuda de políticos sulistas que viram a oportunidade de uma brecha na política federal.

Esta nova chapa enfraqueceu Afonso Pena que tinha o apoio dos paulistas. De um lado, o presidente não queria apoiar a candidatura de Hermes da Fonseca, já que isto implicava em abrir mão de sua opinião e dar o seu poder de decisão para os políticos mineiros e sulistas. Por outro, os paulistas o pressionavam para demitir Hermes do posto de ministro da Guerra e assim dividir as Forças Armadas.

No meio deste furacão, faltando apenas um ano para terminar o seu mandato, Afonso Pena faleceu e foi então que, Nilo Peçanha, seu vice assumiu o governo e acabou de vez com esta disputa entre Hermes e Campista, apoiando a candidatura de Hermes. Isto ia contra a oligarquia paulista, que cuja política café com leite previa que o sucessor fosse alguém do estado e fez com que temessem a presidência nas mãos de um militar.

Incomodados os paulistas romperam a política café com leite e lançaram seu próprio candidato, o baiano Rui Barbosa. Essa disputa presidencial passou a ser conhecida como Campanha Civilista, já que Rui era um candidato civil, enquanto Hermes, era militar.

Barbosa era conhecido por ser intelectual, realizava discursos que falavam de reformas e modernizações, sendo que a grande maioria acontecia em centros urbanos e contava com apoio das grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Ainda realizou pela primeira vez a façanha de percorrer por vários estados em Campanha. Porém, Rui enfrentava ainda um grande problema, os dos votos abertos e facultativos. Primeiro que por serem abertos os coronéis obrigavam os seus empregados a votarem nos candidatos que eles apoiavam, que era ninguém menos que o Marechal Hermes. E o segundo problema que por ser facultativo, nem todos iam as urnas votar.

As eleições finalmente aconteceram em 1910 e apesar da suspeita de fraude, Hermes da Fonseca foi eleito presidente numa disputa realmente acirrada, que abalou as estruturas oligárquicas, mostrou o poder do movimento civilista e deu abertura para novos grupos urbanos dentro da política nacional.

Fontes:

http://www.infoescola.com/historia/campanha-civilista/

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/campanha-civilista.jhtm

http://www.brasilescola.com/historiab/campanha-civilista.htm

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