Funding Loan

Por Antonio Gasparetto Junior
Em decorrência da crise econômica gerada no Brasil em função da política do encilhamento criada por Ruy Barbosa, o presidente Campos Sales se viu em situação complicada e precisou fazer um acordo, chamado funding loan, com os credores ingleses para que fosse possível estabilizar a crise inflacionária brasileira.

O encilhamento proposto por Ruy Barbosa causou um efeito inesperado na economia brasileira, com a facilitação do acesso ao crédito e a permissão da emissão de papel-moeda para os bancos o resultado foi uma grave crise inflacionária. Com a queda na qualidade de vida e a falta de recursos brasileiros para investimento nos principais setores da economia nacional, a população sofria com as mais variadas conseqüências. Foi quando o presidente brasileiro, Campos Sales, em 1898, recebeu a proposta de funding loan dos banqueiros de Londres. Esta proposta funcionava na prática oferecendo folga e garantia, concedidas através de um empréstimo, para que fosse realizado o pagamento dos juros e dos montantes dos empréstimos anteriores. A medida já havia sido experimentada pela vizinha Argentina. No caso dos argentinos, em troca do empréstimo era repassado todo o lucro gerado com os impostos alfandegários e serviços ferroviários.

Interessado na proposta, o presidente brasileiro Campos Sales em parceria com seu Ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, viajaram para a Inglaterra no mesmo ano de 1898 para negociar o funding loan. Este seria de 10 milhões de libras, seu pagamento seria feito através dos lucros gerados pelo serviço de abastecimento de água do Rio de Janeiro, da Estrada de Ferro Central do Brasil e de todos os impostos que fossem recolhidos pela alfândega brasileira.

A utilização da verba adquirida através do funding loan envolvia um planejamento audacioso para pagamento das dívidas e principalmente muito duradouro. Segundo o que ficou estabelecido, os 10 milhões de libras tomados de empréstimos seriam utilizados para pagamento de juros de dívidas externas anteriores nos três anos seguintes, sem precisar pagar nada da nova dívida. Somente a partir do terceiro ano começaria a pagar os juros da dívida mais recente. E, acreditando na adequada execução do planejamento traçado e na consequente recuperação da economia, só dez anos depois que o governo brasileiro iria começar a pagar parcelas referentes a dívida contraída no ano de 1898. Em troca disso tudo, os credores ingleses exigiam que o Brasil não contraísse novos empréstimos nesse período e se esforçasse com o apoio de seus bancos para combater a inflação e retirar a grande quantidade de papel-moeda de circulação, que causava sérios problemas à economia nacional e principalmente sustentava o quadro de desvalorização da moeda brasileira no período.

O empréstimo foi realizado e a confiança foi depositada no funding loan para que a recuperação da economia nacional fosse promovida. Entretanto, após o funding loan, muitos dos bancos nacionais faliram e permitiram que os bancos estrangeiros ocupassem posições mais fortificadas. O próprio Banco do Brasil enfrentou sérios problemas e teve suas condições reduzidas, abrindo espaço para o maior banco inglês da época, o Londos and Brazilian Bank, que tinha muito mais recursos.

O funding loan foi mais uma vez utilizado pelo governo brasileiro nos anos de 1914 e 1931. Na prática tal alternativa fazia apenas com que o problema econômico brasileiro fosse empurrado por mais tempo, reduzindo em pequena quantidade os problemas do momento e garantindo a ligação com pagamento de dívidas no futuro.

Fontes:

http://www.infoescola.com/historia/campos-sales-e-o-funding-loan/

http://www.culturabrasil.org/republicavelha.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Funding_loan

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