Governo de Artur Bernardes

Por Tiago Ferreira da Silva
Dando continuidade à política “café-com-leite”, onde os presidentes brasileiros revezavam-se entre paulistas e mineiros detentores do poder econômico do café, o mineiro Artur Bernardes assumiu em 15 de novembro de 1922 um país repleto de conflitos sociais e políticos, somados à crise econômica que se instaurara com a revolta dos trabalhadores no governo anterior.

artur bernardesNa tentativa de minimizar o espectro da instabilidade política, Artur Bernardes cumpriu o mandato de quatro anos sob “estado de sítio”, privando as liberdades individuais dos cidadãos (como a imposição do toque de recolher, restrição à liberdade de imprensa e contenção de movimentos sociais contrários ao governo) e aumentando o poder do Executivo nas decisões do Estado.

Tal medida suscitou em um distanciamento ainda maior das elites agrárias do país; enquanto os cafeicultores paulistanos e mineiros, que apoiaram Artur, eram favoráveis a um controle mais efetivo do Estado, as pequenas elites que formaram oposição ao governo (e apoiaram o candidato adversário Nilo Peçanha), estavam cada vez mais descontentes com essa medida.

Formavam oposição ao governo “café-com-leite” pequenos agrários e presidentes (que hoje seriam governadores) dos estados da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e, principalmente, Rio Grande do Sul.

O clima de conflito aumentou quando o jornal “Correio da Manhã” divulgou cartas – que posteriormente seriam comprovadas como falsas – de ofensas por parte de Artur Bernardes dirigidas ao Exército e ao ex-presidente Hermes da Fonseca. Com isso, os remanescentes dos “18 do Forte” de Copacabana, que marcaram o governo de Epitácio Pessoa, se rebelaram e formaram um grupo rebelde de tenentes, liderados por Isidoro Dias Lopes. Tal rebelião foi o estopim para que mais tenentes formassem grupos de oposição, como ocorreu em São Paulo sob a liderança do major Miguel Costa.

Em investida, o presidente enviou tropas do Estado para capturar os tenentes revoltosos. Após um imenso conflito que matou mais de 500 pessoas e feriu outras 4.800 em São Paulo (e suscitou na deposição do governador Carlos Campos), os tenentes se refugiam para cidades do interior até cruzarem com o levante de militares dissidentes de Luíz Carlos Prestes, na cidade de Foz do Iguaçu. Eles formam a Coluna Prestes, uma aliança de oposição ao governo que contava com cerca de 1.500 militares.

A Coluna Prestes percorreu uma distância de 24 mil quilômetros do território brasileiro para convencer mais homens a firmarem oposição ao governo. Eles queriam tirar Artur Bernardes do poder e incitavam populações de diversas regiões a confrontarem as elites locais. Ao longo de dois anos (entre 1925 e 1927) eles esbarraram com o Exército do governo, mas jamais foram vencidos em sua totalidade.

Sem uma consistência política claramente definida, a Coluna Prestes é desfeita em 1927 e seus líderes procuram asilo na Bolívia.

Apesar da violência contra os dissidentes, a repressão das liberdades individuais, o autoritarismo e ausência de um projeto político que estabilizasse economicamente o Brasil da crise pós-Primeira Guerra, Artur Bernardes conseguiu terminar seu mandato sob a égide da elite do “café-com-leite”, entregando o cargo de presidência em 15 de novembro de 1926 a Washington Luís – que seria o último representante dos cafeicultores paulistanos e mineiros que durante décadas dominaram o mais alto cargo do Estado.

Fontes:

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u59.jhtm

http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/governo-de-artur-bernardes/

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