Governo de Epitácio Pessoa

Por Tiago Ferreira da Silva
Após o breve mandato de Delfim Moreira, Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa assume a presidência em 28 de julho de 1919. Até então, a República brasileira sempre fora composta por mandatários paulistanos ou mineiros, o que caracterizava a política do “café-com-leite”, pois eles representavam a oligarquia da cafeicultura do país. Entretanto, a oligarquia preferia eleger o paraibano Epitácio Pessoa no cargo da presidência do que seu rival na disputa Rui Barbosa, um intelectual baiano que tinha orgulho de sua terra natal.

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Epitácio Pessoa esteve a frente do país em  um complicado momento de agitação dos trabalhadores. Por volta de 1920, os imigrantes europeus, principalmente espanhóis e italianos, ocupavam cargos do operariado e chegavam com a influência política de seus países de origem, como o anarquismo e o socialismo. Revoltados com as más condições de trabalho e baixos salários mantidos pela elite oligárquica, os trabalhadores lideraram greves generalizadas em frente das indústrias, distribuindo panfletos e jornais de circulação alternativa para propagar os ideais de esquerda que estavam se fortalecendo na época.

A oligarquia, preocupada com o baixo rendimento de suas indústrias, pressionou o governo a promulgar a Lei de Repressão ao Anarquismo, em 1921, para tentar acabar com o elevado número de greves nas fábricas. A ascensão da indústria após o fim da Primeira Guerra Mundial era o fator determinante para que Epitácio Pessoa defendesse uma política de contenção de gastos e não aprovasse um projeto que aumentasse os salários do operariado.

Divididos entre anarquistas e socialistas, alguns trabalhadores decidiram que estava na hora de formar uma resistência política que defendesse os ideais esquerdistas. Em 1922, fundaram o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que logo foi posto na ilegalidade por Epitácio Pessoa por representar uma onda de dissidência no proletariado, interferindo largamente nos interesses oligárquicos.

Com toda a agitação tomando conta das vias urbanas, durante o governo de Epitácio Pessoa aconteceu a Semana de Arte Moderna, em abril de1922, liderada por um grupo de intelectuais no Teatro Municipal de São Paulo. O evento representou uma renovação artística no campo da vanguarda, contestando a produção da arte daquele conturbado momento. Tomaram frente deste movimento intelectuais como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.

Ainda em 1922, Epitácio Pessoa teria uma grande dor de cabeça com a Revolta do Forte de Copacabana, liderada por tenentes e capitães do Exército que estavam insatisfeitos com o presidente após o fechamento do Clube Militar e a prisão do dirigente Hermes da Fonseca. Depois de um violento confronto, restaram 17 tenentes e um civil, lembrados como “Os 18 do Forte”.

Apesar do período conturbado, Epitácio Pessoa marcou seu governo com um grande investimento no sertão nordestino: ele mandou construir mais de 200 açudes na região e 500 quilômetros de vias férreas, para tentar acabar com o forte impacto da seca. Também participou da criação da Universidade do Rio de Janeiro e da inauguração da primeira estação de rádio do país.

Em 15 de novembro de 1922, o mineiro Artur Bernardes assume a presidência, dando continuidade a política “café-com-leite” da elite cafeicultora, que durante o mandato de Epitácio Pessoa não deixou de exercer sua forte influência política.

Fontes:

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u58.jhtm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Epitácio_Pessoa

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