| Por Tiago Ferreira da Silva |
Ele rompeu com o “estado de sítio” do governo de Artur Bernardes e trouxe otimismo à nação, aproximando-se da população ao andar nas ruas do Rio de Janeiro. Apesar da aparente calma do início de mandato, com o desmanche da Coluna Prestes e a promessa de investir em estradas (“Governar, pois, é fazer estradas“, disse ele certa vez), Washington Luís não cedeu anistia aos refugiados políticos e, posteriormente, promulgou a Lei Celerada em 1927 para evitar greves de operários, combater o espírito revolucionário do comunismo e conter o argumento anti-governista da imprensa.
O crescimento cada vez maior do setor industrial formou uma classe social de burgueses, que começaram a exigir políticas mais voltadas aos seus interesses econômicos. Ao contrário dos cafeicultores, que tinham consistência política para tornar o café um produto mais valorizado nacionalmente, os burgueses industriais queriam que o governo facilitasse o crédito bancário, elevasse o preço de produtos importados para que a produtividade nacional dominasse o mercado e estabilizasse a política monetária do país.
Atendendo a essa nova elite empresarial, Washington Luís cria a caixa de Estabilização em 1926, para facilitar o empréstimo monetário externo.
Em 1929, a queda da Bolsa de Nova York desestabilizou o mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos. Os cafeicultores viram seus lucros decaírem quando o café passou a ser desvalorizado por seus principais compradores: os europeus. Os empréstimos financeiros provindos do exterior também sofreram uma grande queda e o setor cafeeiro acabou entrando em atrito com o setor industrial, pois, enquanto um setor dependia de investimentos externos, o outro ficava mais fortalecido com a estabilização monetária. Neste momento, um empréstimo podia contrair enormes juros em decorrência da crise econômica, o que afetaria as indústrias nacionais. Washington Luís optou por continuar sua política de estabilização monetária.
Os agricultores começaram a entrar em conflito internamente. Os mineiros e fluminenses estavam insatisfeitos com o fato da Instituição do Café ser sediada em São Paulo; queiram que fosse propriedade do governo federal. Indignados, formaram uma frente contra os cafeicultores paulistas e o governo de Washington Luís, criando a Aliança Libertadora. Eles eram contra a candidatura de Júlio Prestes para a sucessão presidencial e decidiram lançar o candidato mineiro Antônio Carlos de Andrada, contrariando a aliança da política do “café-com-leite”.
Sem consistência política, Andrada acabou apoiando o candidato gaúcho Getúlio Vargas, formando a aliança entre os estados de Rio Grande do Sul, Minas Gerias e Paraíba, com o vice João Pessoa. Essa aliança seria a responsável por destituir Washington Luís do poder vinte e um dias após o término de seu mandato, em 24 de outubro de 1930. Com o fim da República Velha, onde os interesses dos cafeicultores eram prioritários no governo, a Revolução de 1930 coloca Getúlio Vargas no poder e traz novos rumos políticos para o Brasil, investindo mais no empresariado nacional e nas condições de trabalho do operariado.
Fontes:
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u60.jhtm
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/governo-de-washington-luis/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Washington_Lu%C3%ADs_Pereira_de_Sousa
| Data de publicação: 20/01/2010 Categorias: Brasil República |
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