Operação Brother Sam

Por Tiago Ferreira da Silva
Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputavam influências geopolíticas em todo o mundo, a fim de que uma hegemonia política prevalecesse. Após a Segunda Guerra Mundial, com a vitória de ambos os países, os americanos capitalistas faziam o que podiam para impedir a disseminação do ideal comunista soviético – e vice-versa.

Um território tão próximo como a América Latina não podia fugir das mãos dos americanos capitalistas. Após a vitória de Fidel Castro sobre a ditadura de Fulgêncio Baptista e a instauração do regime comunista em Cuba, em 1959, os americanos decidiram ficar mais cautelosos em relação ao continente.

No Brasil, o governo de Juscelino Kubitschek incentivava a independência produtiva em relação aos Estados Unidos. Desde o fim do Estado Novo o país era alvo de investimentos maciços de indústrias norte-americanas, deixando-o extremamente dependente dos Estados Unidos.

João Goulart

Quando João Goulart (Jango) chegou à presidência e mostrou-se favorável à reforma agrária e o Congresso Nacional aprovou a Lei de Remessa de Lucros, que havia prejudicado o setor empresarial norte-americano, os Estados Unidos decidiram tomar medidas mais drásticas.

O embaixador norte-americano no Brasil Lincoln Gordon pediu a intervenção do Estado americano para poiar um golpe anti-Jango que já estava sendo articulado e patrocinado. No dia 31 de março de 1964, teve início a Operação Brother Sam, que pretendia organizar uma frente de defesa caso houvesse alguma resistência política à tomada dos militares brasileiros. Os norte-americanos chegaram a enviar à Frota do Caribe, próximo do Espírito Santo, 100 toneladas de munições, navios petroleiros, aviões de caça, navios de transporte de helicópteros, encouraçados, destroyers e aviões que transportavam armamentos pesados.

Alguns historiadores e cientistas políticos defendem que o exílio de João Goulart ao Uruguai de forma pacífica se deu porque ele temia o desencadeamento de uma guerra civil. De fato, não houve resistência alguma à investida militar e o golpe foi bem-sucedido.

Além do contexto da Guerra Fria, outro fato contribuía para a efetividade do golpe: a morte do presidente americano John Kennedy, em 1963. Kennedy era amigo pessoal de Jango e havia ordenado o embaixador Lincoln Gordon a cooperar com a política brasileira. Após a morte de Kennedy, o secretário Thomas Mann fez uma declaração ao jornal “New York Times” que deu margem para o golpe no ano seguinte:

“os Estados Unidos não mais procurarão punir as juntas militares por derrubarem regimes democráticos”.

Outro fator decisivo para a deposição de Jango ao poder foi a crise política e econômica instaurada após a renúncia de Jânio Quadros em 1961. A ala direita temia que Jango articulasse um golpe de Estado comunista. Alguns políticos apoiaram a intervenção militar, pois acreditavam que seria temporária.

A instauração da Ditadura Militar no Brasil foi o xeque-mate da geopolítica latino-americana dos Estados Unidos. Tendo o Brasil, maior e mais influente país da América Latina, servindo aos interesses norte-americanos, seria questão de tempo para que os demais países aderissem aos golpes militares. Afinal, foi com a ajuda brasileira que os golpes na Argentina, Peru e Chile tiveram êxito.

Fontes:

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/eua-apoiam-golpe-64.jhtm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Operação_Brother_Sam

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