Os Combates da Revolução Constitucionalista de 1932

Por Antonio Gasparetto Junior
A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um combate contra o governo provisório brasileiro exercido por Getúlio Vargas desde que tomou o poder em 1930. O movimento de insatisfação foi liderado pelo estado de São Paulo, que sofria com sansões do governo e tinha perdido espaço político com a presença do gaúcho Getúlio Vargas no poder. Assim, os desentendimentos se tornaram um conflito armado de grandes proporções exigindo a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil.

Os combates começaram ainda antes de 1932 através da ação de grupos revolucionários paulistas. O movimento mais emblemático foi o chamado MMDC, que treinava os revolucionários com técnicas de guerrilha para enfrentar o governo. Aliás, o nome do movimento, MMDC, fazia referência a quatro jovens revolucionários paulistas que foram assassinatos em combate contra tropas da Liga Revolucionária, uma célula de apoio ao governo de Vargas em São Paulo. Os quatro jovens que morreram na ocasião desse combate eram conhecidos como Martins, Miragaria, Dráusio e Camargo, o que resultou na sigla MMDC.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 ocorreram vários combates. Houve uma crescente no enfrentamento com o governo que estabeleceu uma guerra civil no país. O palco principal da guerra, para os paulistas, era o Vale do Paraíba, principal acesso ao Rio de Janeiro. Os paulistas pretendiam dominar a cidade de Resende, mas não conseguiram avanças e, na verdade, tiveram que alterar a estratégia pensando apenas na defesa. O combate na região demonstrou a força do exército de Getúlio Vargas.

Pelo leste paulista, os revolucionários de São Paulo invadiram o estado de Minas Gerais desencadeando mais uma série de combates com muitas mortes. Mais uma vez, o exército de Vargas foi superior e forçou o recuo dos paulistas. O sul do estado de São Paulo era a região mais desguarnecida dos paulistas e principal ponto de ação das tropas federais. Assim, o exército de Vargas não teve muitas dificuldades para derrotar os revolucionários paulistas na região e avançar pelo estado.

O estado de Mato Grosso do Sul, que na época era chamado somente de Mato Grosso, foi o maior aliado dos paulistas e resistiu bravamente aos conflitos. Conseguiu dominar a região estratégica de Porto Murtinho por quase dois meses. Mas, depois, também sucumbiu ao poderio do exército federal. Outro estado que também foi ativo no conflito foi o Rio Grande do Sul. Inicialmente, posicionou-se contrário ao gaúcho Getúlio Vargas, porém grupos armados do estado se organizaram para apoiar o governo do presidente e seu exército. Os apoiadores de Vargas marcharam para impedir o avanço de tropas paulistas e esmagaram os revolucionários em combate. Por fim, houve também um combate na região central de São Paulo, em Botucatu, que contou com a participação ativa até da Igreja Católica, a qual doou dinheiro e organizou um batalhão para combate. Mas também foi derrotado.

Os Combates da Revolução Constitucionalista de 1932 fizeram muito uso de aviões. Os legalistas os usavam para bombardear as posições rebeldes e fragmentar a estrutura que os revolucionários haviam preparado para enfrentar o governo. Em geral, o exército federal estava muito mais preparado para o combate e venceu as tropas revolucionárias seguidamente.

Fonte:
VILLA, Marcos Antônio. 1932: Imagens de uma Revolução. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.