Plano SALTE

Por Tiago Ferreira da Silva
Lançado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) como um elaborado plano econômico, o Plano SALTE pretendia estimular as áreas de Saúde, Alimentação, Transporte e Energia – áreas que correspondiam às letras iniciais do plano.

Na época, o Brasil passava por um grande processo de urbanização nas capitais, devido aos investimentos maciços de indústrias nacionais e estrangeiras para impulsionar a economia urbana. Esse crescimento desordenado suscitou em um complicado período inflacionário pois, ao mesmo tempo que era injetado dinheiro nos centros urbanos, aumentava o custo de vida da população.

Neste contexto foi criado o Plano SALTE: como forma de direcionar o dinheiro público para setores emergenciais. Ele foi idealizado em 1946 e logo recebeu apoio de todos os parlamentares do Congresso para ser levado adiante. Porém, só foi anunciado como mensagem presidencial em maio de 1948.

Por mais que se apresentasse como uma iniciativa para diminuir os problemas sociais do país, o Plano SALTE acabou se tornando o pesadelo dos trabalhadores. Com o objetivo de diminuir a inflação, Gaspar Dutra cortou inúmeros gastos, dentre eles o piso salarial mínimo, que chegou a cair para a metade do que era antes.

Entretanto, o plano foi responsável por grandes avanços.

No âmbito da saúde, o plano tentou seguir as diretrizes da já existente Campanha Nacional de Saúde, que tinha como prioridade elevar o nível sanitário da população rural. Para combater a malária, doença que castigava as regiões nordestinas, Dutra empenhou uma campanha de erradicação com a compra de inseticidas de ação residual. No Rio de Janeiro, o presidente mandou construir o Hospital dos Servidores do Estado, projetado para ser o maior hospital da América Latina.

Na área de transportes, Dutra redirecionou um investimento maior para reaparelhamento dos portos, compra de frotas marítimas estrangeiras e construção de oleodutos, além de manter os projetos ferroviários e rodoviários que já existiam. Construiu uma complexa rede ferroviária ligando as regiões Sul e Nordeste, chegando até o Recife, e mais de 2.500 quilômetros de rodovias – ainda que sem asfalto adequado – como a Rio-Bahia e a Rio-São Paulo, conhecida como Via Dutra.

No setor energético, houve um grande apoio financeiro de capital privado para estimular empresas concessionárias, que estavam em ascensão com o crescimento urbano. Com planos de elevar as eletrificações rural e urbana, o Plano SALTE foi responsável por aumentar em cerca de 40% a capacidade de geração de energia elétrica.

O setor petrolífero, que crescia cada vez mais, elevou sua produção diária para até 45.000 barris com a aquisição de 15 gigantescos petroleiros.

Apesar dos grandes feitos, o Plano SALTE acabou fracassando por conta do agravamento da inflação. Com um custo de vida maior e menos poder aquisitivo, a população – sobretudo urbana – ficou desgastada com a imagem do presidente Dutra, que saiu do poder em 1951 com uma popularidade muito baixa.

Fontes:
http://estadoedemocracia.blogspot.com/2007/09/plano-dutra.html
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/plano-salte/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_SALTE


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