Política dos Governadores

Por Antonio Gasparetto Junior
Para sustentar a dominação política e oligárquica das elites na República Velha havia uma estrutura bem arquitetada chamada Política dos Governadores que garantia o controle do poder.

Existente durante a República Velha, a Política dos Governadores foi um pacto em que o Governo Federal ligava-se ao governo dos estados e estes aos coronéis para garantir o acesso aos cargos de poder somente aos desejados. Desta forma era formada a bancada na Assembléia Legislativa sem que houvesse qualquer tipo de oposição ao Governo Federal.

Com o fim da Monarquia e o início do período republicano era preciso se estabelecer as formas de atuação dos estados, que se organizavam segundos suas elites locais. Para dar uma moldura a essa estrutura muito fragmentada e conseguir desenvolver métodos de controle do poder, o presidente Campos Sales empenhou-se na tarefa de resolver a situação, resultando em uma organização que permitia o controle desde o âmbito local até o federal.

Quem exercia de fato o poder local e regional no início da história republicana brasileira eram os coronéis. Estes eram os grandes proprietários de terra ou os comerciantes enriquecidos que exerciam seu poder sobre a grande camada da população composta de trabalhadores carentes e analfabetos. Na ocasião das eleições ocorria o que era chamado de Voto de Cabresto. Naquele momento o voto não era algo secreto e acabava que na prática também não resultava em algo livre, eram os coronéis, que em acordo com os governadores, decidiam em quem seus comandados iriam votar.

Desta forma havia o completo controle do curral eleitoral, sendo que a via autoritária dos coronéis estava ligada ao fator violência, causando medo nos trabalhadores ou a preocupação de perderem suas fontes de sustento.

Os coronéis exerciam o seu poder e faziam seus acordos com os governadores em troco de mais poder e prestígio. Os governadores, por sua vez, ao apoiarem os coronéis em seus poderes locais ganhavam em troco a eleição do candidato escolhido por eles, perfazendo uma troca de favores completa.

Dando continuidade ao grande esquema, os governadores se organizavam através dos acordos que davam sustento ao Governo Federal. Como os governadores eram indicados pelo Governo Federal, mais uma vez ocorria a troca de favores e a perpetuação da exclusão política dos indesejáveis.

Então, a grande estrutura armada ia desde o coronel em seus currais eleitorais até o Governo Central. Perfazendo um jogo marcado a todo o momento pela troca de favores, a política permanecia nas mãos dos membros de uma oligarquia. Dois elementos eram fundamentais para evitar qualquer falha no sistema: o Coronelismo e Comissão de Verificação. O primeiro era o que controlava o voto dos eleitores diretamente. Já a Comissão de Verificação tratava-se de uma ferramenta extra que analisava todos os candidatos eleitos fazendo uma triagem fraudulenta de todos aqueles que eram indesejáveis. Se de algum modo um candidato de oposição fosse eleito, essa comissão tinha seus meios para embargar sua posse.

Assim, o presidente tinha total apoio nas bancadas do Congresso, uma vez que o Governo Federal respeitava as decisões dos partidos dominantes de cada estado e estes permitiam o poder do coronel em suas regiões.

Fontes:
http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/glossario/a/politica-governadores.htm
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/politica-dos-governadores.jhtm
http://www.infoescola.com/historia/politica-dos-governadores/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Política_dos_Governadores


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