Política Salvacionista

Por Tiago Ferreira da Silva
Durante seu mandato como presidente do Brasil, o gaúcho Hermes da Fonseca, que tinha um amplo apoio político da elite mineira, presenciou diversas revoltas no país, dentre elas a violenta Revolta da Chibata e a Revolta de Juazeiro.

A Revolta do Juazeiro, uma manifestação popular ocorrida no Ceará sob liderança do Padre Cícero, foi consequência de uma tentativa governista de fazer prevalecer sua hegemonia política em todo o território brasileiro – fato que ficou conhecido como Política Salvacionista.

Depois de abalar a ‘política do café-com-leite’ (onde mineiros e paulistas revezavam a presidência do país), Hermes da Fonseca, que tinha fortes ligações políticas por ter um pai coronel e um tio que já fora presidente do Brasil (Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro Presidente da República), queria alterar a correlação política dessas oligarquias tradicionais. Para isso, decidiu intervir nos estados, renomeando governadores aliados para substituir aqueles que tinham sido eleitos.

Dentre as regiões afetadas pela política salvacionista, o Nordeste foi a que mais sofreu intervenções. É que um dos principais objetivos de Hermes da Fonseca era diminuir a influência de seu opositor Pinheiro Machado, mais conhecido por ser o ‘mandarim’ da República.

Mandavam nos estados do Norte e Nordeste famílias tradicionais de grandes comerciantes e fazendeiros politicamente ligados a Machado. O Ceará, que estava nas mãos dos Accioly, reagiu negativamente às intervenções formando uma grande revolta popular concentrada na cidade de Juazeiro do Norte.

Entretanto, a rebelião cearense não foi empreendida pelos fazendeiros – na verdade, ela tinha caráter religioso e foi liderada por Padre Cícero. Segundo alguns relatos, o deputado cearense Floro Bartolomeu, que era amigo próximo do padre, foi orientado por Pinheiro Machado a usar a popularidade do religioso para tirar o coronel Franco Rabelo (que derrubou a hegemonia dos Accioly) do governo cearense.

Milhares de sertanejos se uniram ao Padre Cícero com armamentos e formaram um grande levante, fazendo com que Rabelo devolvesse o poder aos Accioly.

Com estas manobras, Hermes da Fonseca pretendia conquistar mais força política, mas acabou acontecendo o contrário. Seu mandato de quatro anos foi praticamente exercido em ‘estado de sítio’. Os militares, que outrora foram seus aliados, acabaram sendo julgados após o desgaste da Revolta da Chibata e a política salvacionista, que deveria auxiliar seu governo, acabou enfraquecendo ainda mais seus poderes políticos.

Fontes:

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u55.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u49.jhtm

http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=652

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