Tenentismo

Por Felipe Araújo
As contínuas rebeliões de cunho político-militar realizadas por jovens oficiais do Exército Brasileiro formaram um movimento chamado Tenentismo. A série de rebeliões militares deu-se no início da década de 20, quando jovens militares de baixa e média patente começaram a incitar reformas políticas no Brasil. Segundo eles, algumas das medidas a serem reformadas eram: fim do voto de cabresto, reforma na educação pública e voto secreto.

Além de lutar por estas mudanças, o Tenentismo também se caracterizava por tentar derrubar as oligarquias rurais que dominavam o país e acabar com as velhas tradições da República Velha. Os movimentos tenentistas foram a Coluna Prestes, a Revolução de 1924, a Comuna de Manaus e a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana.

Na época em que o Tenentismo começava a figurar, a política social do Brasil tinha como base a estrutura agrária. Assim, os grupos urbanos eram excluídos de qualquer tipo de decisão tomada no país. Eram dentro de um sistema de mandonismo nas áreas rurais e nos currais eleitorais que eram decididos os rumos da nação.

A população das cidades começava a crescer devido à 1ª Guerra Mundial. Trabalhadores, funcionários públicos, operários, comerciantes e militares formavam esta massa urbana sem poderes políticos. Todo este descontentamento acabou gerando, além do Tenentismo, o movimento operário.

A preparação do Tenentismo já ocorria desde o final do século XIX. Os militares adeptos das idéias de Floriano Peixoto consideravam que somente o exército teria forças para implantar a República no país.

Em 1922 inicia-se o primeiro levante. Conhecido com os 18 do Forte, teve influência de tenentes e opunha-se à tomada de poder do presidente recém-eleito Arthur Bernardes. Também fizeram parte deste movimento o Capitão Hermes da Fonseca Filho, o Tenente Eduardo Gomes, o Tenente Siqueira Campos e os Tenentes Protógenes Pereira Guimarães, Ernani do Amaral Peixoto e Augusto do Amaral Peixoto.

Luís Carlos Prestes, o líder da Coluna Prestes, o principal movimento tenentista.

Com o fim desta primeira rebelião, surge outro movimento armado no ano de 1924. Dirigido pelo General Isidoro Dias Lopes, os militares avançam pelo interior do país e chegam ao Rio Grande do Sul, onde recebem novos adeptos, dentre eles o Capitão Luis Carlos Prestes. Outras importantes adesões foram de alguns tenentes e patentes graduadas como Djalma Soares Dutra, Juarez Távora, Cordeiro de Farias, João Alberto e Miguel Costa.

Em 1925, fileiras gaúchas sob o comando do Capitão Luís Carlos Prestes uniram-se às tropas que deixavam São Paulo, fortalecendo a organização e mantendo a resistência. Acreditando na idéia de depor o governo vigente e suas tropas, os soldados liderados por Prestes, alcunhados de Coluna Prestes, atravessaram o Paraguai e retornaram pelo Mato Grosso. Após passagem por Goiás, foram para o Nordeste e chegaram ao Maranhão, onde ameaçaram a cidade de Teresina.

Em 1929 o Tenentismo participa da Aliança Liberal, porém, sem a presença de Luís Carlos Prestes. Esta Aliança Liberal tinha presidentes de Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba como participantes. Eles lutavam pela justiça trabalhista, direito de voto feminino e o voto secreto.

Com a vitória de Getúlio Vargas, alguns dos principais líderes do Tenentismo enfraqueceram e aderiram à outras causas. Luis Carlos Prestes deixou de apoiar o movimento de 1930 e uniu-se aos comunistas. Siqueira Campos faleceu em acidente aéreo no mesmo ano, da mesma forma que Juracy Magalhães na Bahia, Landri Sales no Piauí, Magalhães Almeida no Maranhão e Magalhães Barata no Pará, entre outros.

Apesar do fim do movimento tenentista, suas manifestações ecoaram na política brasileira. No Golpe Militar de1964, quase todos os comandantes eram antigos tenentes de 1930 como: Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel, Eduardo Gomes, Castelo Branco, Médici, Juraci Magalhães e Juarez Távora.

O Tenentismo existiu até 1970, quando todos os seus membros acabaram falecendo.


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