Aliança Libertadora Nacional

Por Antonio Gasparetto Junior
Com a proposta de combater a ditadura militar vigente no Brasil, surgiu em 1967 a Aliança Libertadora Nacional (ou Ação Libertadora Nacional). O grupo revolucionário era guiado por uma ideologia comunista e guerrilheira, denominavam-se como um grupo terrorista revolucionário que não pouparia esforços em prol de uma ditadura de esquerda no país.

Carlos Marighella

Foi de dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que teve origem o movimento revolucionário e guerrilheiro de esquerda. Após participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana, Cuba, Carlos Marighella abandonou o PCB para formar a Aliança Libertadora Nacional. Outros militantes do PCB abandonaram o partido para engrossar o grupo de Marighella, o grupo de dissidentes inicialmente recebia o nome de Agrupamento Comunista de São Paulo, também chamado “Alla Marighella”. Só no ano seguinte, em 1968, que, por proposta do líder do movimento, o grupo passou a ser reconhecido como Aliança Libertadora Nacional.

Ainda no ano de 1967 o grupo de revolucionários de esquerda começou a desenvolver ações que fossem capazes de garantir a estruturação do movimento, para isso praticaram assaltos a bancos, expropriação de carros pagadores, seqüestros e outras práticas mais. A Aliança Libertadora Nacional tinha nos estudantes a linha de frente já que formavam a maior parte dos militantes.

Durante o período militar ocorreram quatro sequestros arquitetados por grupos revolucionários de esquerda, em dois deles as ações foram coordenadas pela ALN. O primeiro deles foi organizado junto com outro grupo de esquerda chamado MR-8, no qual seqüestraram o embaixador norte-americano Charles Burke Ellbrick em setembro de 1969. A ação exigia a libertação de presos políticos, dos quais obtiveram a libertação de 15 pessoas. O segundo sequestro foi de autonomia da ALN e a vítima foi o embaixador alemão Ehrefried Von Holleben, também em troca da libertação de presos políticos. Desta vez foram 40 pessoas liberadas em conseqüência do sequestro. Em ambos os casos o destaque na imprensa foi gigante e serviu para divulgar a sigla da organização.

Além de ações mais ousadas como essas que disseminavam a sigla da ALN entre a população, seus militantes tinham como costume também a utilização da panfletagem e de discursos para proliferar a luta contra a ditadura e defender a implantação de um regime comunista no Brasil.

Obviamente o grupo era absolutamente odiado pelos militares, a caçada ao grupo de Marighella sempre foi grande e cruel. Não tardou para que o líder fosse abatido. O delegado Sérgio Fleury de São Paulo elaborou um cerco para prender e matar Marighella na cidade, o que aconteceu no dia 4 de novembro de 1969. No lugar do líder morto entrou Joaquim Câmara Ferreira para dirigir a ALN, jornalista e também ex-membro do PCB. Mas morreu em 23 de outubro do ano seguinte, 1970, pois foi delatado por José Tavares da Silva, que após ser preso passou para o lado do inimigo e se tornou Cabo Anselmo.

Logo no começo da década de 1970, já com o fundador e ideólogo Marighella e seu sucessor na liderança, Joaquim Câmara Ferreira, ambos assassinados pelos militares, a Aliança Libertadora Nacional começa a enfrentar dissidências internas. Em 1971 surgem duas novas facções dentro da ALN, a Tendência Leninista (TL) e o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO). Ambos tiveram contingente reduzido e vida efêmera, a maior parte dos militantes morreu até 1974 e a ALN sobreviveu com muita dificuldade e sem maior importuno até o fim da ditadura. A repressão executou ou torturou quase todos os militantes até a morte.

Carlos Eugênio Paz é o único militante que foi comandante da ALN que está vivo até hoje. Entrou para a guerrilha com 17 anos e passou a ser chamado de Clemente, quando se tornou o homem mais procurado pelos militares se exilou na França em 1973 e por lá ficou até 1981. Publicou “Nas trilhas da ALN” e “Viagem à luta armada”.


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