| Por Tiago Ferreira da Silva |
Muitos opositores ao regime saíam às ruas para manifestar contra a opressão, mas eram violentamente reprimidos pelos policiais. Além disso, os manifestantes se mostraram contrários à tendência privatizante do governo ditatorial – principalmente o ensino. Eles argumentavam que o governo pretendia valorizar um ensino tecnicista para suprir as vagas de empresas estrangeiras em detrimento do conhecimento humano. Também se mostraram indignados com o incentivo do governo na criação de universidades privadas, prejudicando o investimento nas universidades públicas.
Os generais haviam fixado um acordo com técnicos da USAID, instituição norte-americana que influenciava nas decisões do Ministério da Educação brasileiro (MEC). A constante presença de estudantes nos conflitos marcava o tom denuncista dos manifestantes em frente à subserviência dos ditadores aos norte-americanos.
Em março de 1968, estudantes reclamavam em um restaurante a grande elevação do preço das refeições. Para conter o conflito, o comandante Aloísio Raposo atirou e matou o jovem de 17 anos Edson Luís de Lima Souto, provocando a ira dos estudantes.
Vários estados brasileiros apresentavam manifestações pedindo o fim da Ditadura Militar. Todas elas foram repelidas com violência. Em Goiás, quatro estudantes foram baleados. No centro do Rio de Janeiro, jovens, artistas, jornalistas e políticos eram contidos pelas tropas militares a cavalo.
No dia 26 de junho de 1968, os militares permitiram uma concentração popular no bairro central do Rio de Janeiro, a Cinelândia, após a prisão de mais de 300 estudantes em diversas manifestações no Brasil. Às 14 horas, cerca de 50 mil pessoas se encontravam no local. No decorrer da passeata, já havia quase 100.000 pessoas, suscitando em um dos mais importantes eventos contra a repressão ditatorial do Regime Militar, a Passeata dos 100 mil. Cerca de 10 mil guardas, soldados e policiais estavam no local para agir, caso fosse necessário.
Depois da passeata, o presidente Arthur Costa e Silva reuniu-se com os líderes estudantis Franklin Martins e Marcos Medeiros. Os estudantes pediram o fim da ditadura e a anistia aos jovens presos nas manifestações. Costa e Silva ignorou os pedidos, o que causou mais revolta popular.
Para conter esses atos revoltosos, Costa e Silva aprovou, em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que proibia as reivindicações populares e o direito à habeas corpus. Teve início um dos períodos mais obscuros da ditadura.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Passeata_dos_Cem_Mil
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=314
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/passeata-dos-100-mil/
| Data de publicação: 14/02/2010 Categorias: Ditadura Militar |
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