Revolução Constitucionalista de 1932

Por Tiago Ferreira da Silva
Antes da ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o país era governado pela política do “café-com-leite”, onde a presidência era alternada entre as elites cafeicultoras paulistas e mineiras.

Getúlio Vargas alçou a presidência com a Revolução de 1930, através de um golpe de Estado que tirou Washington Luís do poder. Washington Luís havia nomeado o paulistano Júlio Prestes para ser seu sucessor e convocou as eleições em março daquele ano, onde teve seu candidato com grande margem vitoriosa, atingindo até 91% dos votos válidos do eleitorado paulista.

Todavia, os mineiros estavam insatisfeitos com a nomeação de Júlio Prestes e apoiaram o candidato gaúcho Getúlio Vargas, formando uma frente oposicionista que ficou conhecida como Aliança Libertadora. Eles acreditavam que os paulistanos gozavam de privilégios na política do “café-com-leite” e tratavam com descaso a produção agricultora e industrial de outros estados.

De fato, São Paulo estava se tornando uma cidade amplamente industrializada. As principais empresas de manufatura e a instituição que representava a administração cafeicultora eram sediadas na capital paulistana.

A Revolução de 1930 tirou a autonomia dos governos estatais e pôs fim à República Velha, que tinha uma política mais voltada para o setor agropecuário devido à grande produção de café.

Os paulistanos ficaram indignados com a decisão de Getúlio Vargas em nomear um interventor que não era de São Paulo para governar o estado; tal ato significava a quebra da Constituição republicana de 1891. Para bater de frente, os civis paulistanos organizaram um movimento armado que culminou na Revolução Constitucionalista de 1932.

O estopim do conflito se deu quando quatro jovens, dentre muitos outros que lutavam pela constituição, morreram em batalha. Os jovens de destaque eram: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, conhecidos como mártires da resistência que formaram a sigla MMDC.

Os paulistas buscaram o apoio de outros estados para tirar Getúlio Vargas do poder. Conseguiram a adesão de Mato Grosso e parte do Rio de Janeiro. Formaram um levante no dia 9 de julho de 1932, data simbólica do movimento, com uma multidão de civis, entre homens e mulheres estudantes, políticos, jornalistas, industriais e oposicionistas. Porém, não conseguiram o apoio efetivo de outros estados porque os governistas bloquearam o porto de Santos e as fronteiras de São Paulo. Ou seja, os paulistas lutaram praticamente sozinhos contra o Exército federal.

Aderiram aos oposicionistas de Vargas alguns militares, entre eles os generais Euclides de Figueiredo, Isidoro de Dias Lopes e Bertoldo Klinger. Eles organizaram uma marcha até a sede do governo federal para negociar a saída de Getúlio Vargas da presidência. Entretanto, o Exército governista era mais numeroso e impediu que os planos dos constituintes fosse adiante.

Sem apoio de outros estados e sem força para bater de frente com o Exército varguista, os insurgentes paulistas se renderam em outubro de 1932. Apesar da derrota dos paulistas, a Revolução Constitucionalista é um marco histórico porque impediu que o país fosse governado de forma inconstitucional. Sua maior contribuição foi a pressão para que um novo texto da Constituição fosse formulado dois anos mais tarde, o que permitiu que as mulheres votassem nas eleições, além de dar o direito do cidadão escolher secretamente seu candidato nas urnas.