Quilombo de Ambrósio

Por Carolina de Sousa Campos Sento Sé
Durante muito tempo acreditou-se que o Quilombo de Ambrósio localizava-se na divisa de Ibiá com Campos Altos (ambos municípios de Minas Gerais). Mas em 1995 o pesquisador Tarcísio José Martins publicou um livro (“Quilombo do Campo Grande”, Editora A Gazeta Maçônica) em que se provava que o primeiro Quilombo de Ambrósio situava-se, na verdade, em Cristais – MG e que houve um segundo Quilombo de Ambrósio – que surgiu após a morte do Rei Ambrósio – este, sim, situado em Ibiá.

É curioso saber como essa descoberta se deu. Estudando o “Mapa de Todo Campo Grande, Tanto da Parte da Conquista, que Parte com a Campanha do Rio Verde, e São Paulo, como de Piuhi, Cabeceiras do Rio São Francisco e Goiases”, da Coleção Família Almeida Prado, hoje pertencente ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP, José martins concluiu que, até então, o mapa havia sido analisado de cabeça para baixo. O mapa em questão continha duas referências a Ambrósio:

  1. “Prim. Povoação do Ambrósio – despovoado”
  2. “Quilombo do Ambrósio – despovoado”

Por volta de 1726 as terras de Cristais foram ocupadas por negros fugitivos sob a liderança do Rei Ambrósio. Àquela época, o município recebia o nome de “Meia Laranja”. Conta-se que o Quilombo de Ambrósio chegou a ter mais de 15000 negros, e foi o maior e mais duradouro da história de Minas Gerais. Atacado pela milícia em 1746, a mando da Coroa de Portugal, ocorre a morte do Rei Ambrósio.

Os negros sobreviventes fundaram um segundo “Quilombo de Ambrósio”, este localizado em Ibiá e Campos Altos – MG, que foi dizimado em 1759. Tarcísio José Martins localizou o documento nº 82129 de 16.12.1759, hoje pertencente ao Centro de Memória Digital da UnB e concluiu que cinquenta líderes quilombolas pertencentes a Ambrósio foram enviados como prisioneiros para o Rio de Janeiro, a serem empregados por Gomes Freire de Andrade para trabalhar com desmonte e reconstrução da Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon.

Leia também:

Bibliografia:
MARTINS, Tarcísio José. “Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo”. Editora A Gazeta Maçônica, 1995.
http://tjmar.sites.uol.com.br/onde.htm
http://www.campobelo.mg.gov.br/index.php?pagina=historico
http://carmodacachoeira.blogspot.com/2008/05/o-ataque-ao-quilombo-de-ambrsio.html
http://www.descubraminas.com.br/DestinosTuristicos/hpg_municipio.asp?id_municipio=41
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo_do_Ambrósio


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